Estudo reforça potencial da cannabis medicinal para pernas inquietas
Pesquisa espanhola acompanhou 18 pacientes e observou melhora dos sintomas, mas alerta para necessidade de estudos maiores
Um estudo recente publicado no Journal of Neurology sugere que a combinação dos canabinoides THC e CBD pode aliviar os sintomas da síndrome das pernas inquietas. A pesquisa, conduzida por neurologistas do Hospital Universitário de Getafe, vinculado à Universidade Europeia de Madrid, acompanhou 18 pacientes durante três meses, observando uma melhora consistente na gravidade dos sintomas.
A síndrome das pernas inquietas é uma condição neurológica caracterizada por uma necessidade quase incontrolável de movimentar as pernas, frequentemente acompanhada por sensações desconfortáveis como formigamento e arrepios. Os sintomas tendem a se intensificar durante o repouso, especialmente à noite, prejudicando a qualidade do sono e impactando atividades cotidianas como assistir a um filme ou realizar viagens longas.
Detalhes do estudo
Dos 18 participantes, 16 também tinham diagnóstico de esclerose múltipla, o que limita a generalização dos resultados para todos os pacientes com a síndrome. Os pacientes receberam uma formulação contendo 2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD, com possibilidade de ajuste da dose após quatro semanas. A gravidade dos sintomas foi avaliada antes do início do tratamento e após um e três meses, utilizando a Escala Internacional da Síndrome das Pernas Inquietas (IRLS).
Além da melhora observada no período inicial, o estudo indicou que cerca de 66,66% dos participantes continuaram utilizando a terapia após um ano, mantendo a redução dos sintomas. Contudo, por se tratar de um estudo exploratório, aberto e sem grupo placebo, os autores ressaltam que os resultados precisam ser confirmados em pesquisas maiores, randomizadas e controladas.
Perspectivas e cautelas
Mariana Maciel, médica da biotech canadense Thronus Medical, destaca que o principal mérito do estudo é estimular novas pesquisas para um sintoma que ainda carece de opções terapêuticas eficazes. Ela ressalta a necessidade de cautela na interpretação dos dados, devido ao tamanho reduzido da amostra e à ausência de grupo placebo. “Ele abre um caminho para novas pesquisas, mas ainda não muda a prática clínica”, afirma.
A médica também enfatiza que a resposta ao tratamento pode variar entre os pacientes, e que a escolha da formulação, o ajuste da dose e o acompanhamento médico são essenciais para garantir eficácia e segurança.
Avanços na nanotecnologia para cannabis medicinal
Além dos estudos clínicos, a nanotecnologia tem sido explorada para aumentar a eficiência dos tratamentos com cannabis medicinal. Uma das abordagens é a redução do tamanho das partículas para melhorar a absorção pelo organismo. A empresa Thronus Medical desenvolveu a tecnologia Power Nano™, que encapsula partículas de cannabis em solução hidrossolúvel com cerca de 17 nanômetros, potencialmente favorecendo a absorção e o início da ação dos canabinoides. Essa formulação está disponível no mercado brasileiro há seis anos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



