Mulheres já são até 49% dos financiamentos imobiliários

Dados do IMI mostram avanço da autonomia financeira feminina e mudanças no perfil das compradoras de imóveis no Brasil.

Comprar um imóvel deixou de ser apenas uma decisão familiar para muitas mulheres: passou a representar autonomia, segurança e construção de patrimônio. Dados apresentados pelo Instituto Mulheres do Imobiliário (IMI) mostram que elas já representam 49% dos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida realizados com recursos do FGTS.

O avanço também aparece fora dos programas habitacionais. Uma pesquisa divulgada pelo IMI na revista O que 7 Anos Constroem aponta que 35,7% das mulheres compram imóveis principalmente com recursos próprios — um indicador de maior independência financeira na formação de patrimônio.

Mulheres ganham espaço como titulares do crédito

Na carteira geral de crédito habitacional da Caixa Econômica Federal, as mulheres correspondem a cerca de 30% das titulares dos contratos. Segundo Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da instituição, a mudança acompanha o aumento da escolaridade feminina, a maior participação no mercado de trabalho e o crescimento das famílias lideradas por mulheres.

“A mulher passou a ser olhada como um agente econômico importante. A discussão não é apenas porque é bom para os negócios, mas porque as mulheres são atores políticos e sociais de relevância para o país”, afirma.

De acordo com a executiva, políticas públicas que estimularam a titularidade feminina dos imóveis e ampliaram a proteção patrimonial também contribuíram para esse cenário.

Renda e valor financiado aumentam

No Santander, as mulheres representam cerca de 40% dos tomadores de crédito imobiliário. Entre 2021 e 2025, a renda média das clientes que contrataram financiamento passou de R$ 13 mil para R$ 22 mil. Já o valor médio financiado subiu de aproximadamente R$ 320 mil para R$ 450 mil.

“Ou seja, o papel da mulher mudou. Ela não está mais apenas compondo renda. Ela lidera famílias, empreende e participa diretamente da construção de patrimônio”, afirma Elisangela Perussi, Head de negócios imobiliários do Santander.

O novo perfil também aumenta a demanda por produtos e atendimentos que considerem a jornada feminina de compra — da análise de crédito à escolha do imóvel.

Imóveis passam a refletir novas rotinas

No segmento de alto padrão, Dora Swarc, do BTG Pactual, destacou que as transformações nas famílias e no comportamento das consumidoras já influenciam os empreendimentos. Espaços para trabalho remoto, ambientes integrados, áreas para receber convidados, conforto e bem-estar aparecem entre as novas demandas.

“A mulher deixou de ser vista apenas como alguém que escolhia detalhes do imóvel. Hoje ela participa da decisão completa, desde a localização até o conceito do empreendimento”, afirma Dora.

O debate ocorreu em um painel realizado em São Paulo durante a celebração dos sete anos do IMI, na última semana de julho. Para Elisa Rosenthal, fundadora e presidente do instituto, a presença feminina no mercado imobiliário já influencia desde as políticas de crédito até o desenvolvimento dos empreendimentos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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