Estudo associa consumo frequente de ovos a menor risco de Alzheimer
Pesquisa acompanhou quase 40 mil pessoas por mais de 15 anos e identificou redução no risco da doença
Um estudo recente publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition, apontou que o consumo frequente de ovos pode estar associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer. A pesquisa acompanhou 39.498 pessoas por uma média de 15,3 anos, durante os quais foram registrados 2.858 casos da doença.
Os dados indicam que os participantes que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana apresentaram um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com aqueles que raramente ou nunca consumiam o alimento. A associação também foi observada em outras frequências de consumo: de uma a três vezes por mês e uma vez por semana, o risco foi 17% menor; de duas a quatro vezes por semana, 20% menor.
Possível papel da colina na proteção cerebral
O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães, destaca que a colina, nutriente presente em alta concentração na gema do ovo, pode explicar essa associação. “A colina é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação das membranas celulares e do metabolismo lipídico”, explica.
Além disso, outra análise do estudo indicou que a ausência do consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer em comparação com uma ingestão diária aproximada de 10 gramas.
Fatores de risco e prevenção do Alzheimer
O Dr. Marcelo ressalta que, entre os fatores de risco não modificáveis para Alzheimer, estão a genética, como a presença do gene APOE ε4, a idade avançada, histórico de traumatismo cranioencefálico e antecedentes familiares da doença. Por outro lado, fatores modificáveis incluem hipertensão, obesidade, tabagismo, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de álcool, depressão, perda auditiva, comprometimento visual, exposição à poluição e isolamento social.
Prevenção deve começar cedo
A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, explica que alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem começar a se desenvolver 20 a 30 anos antes dos primeiros sintomas clínicos. Por isso, os cuidados com a saúde cerebral devem iniciar ainda na vida adulta.
Segundo a especialista, entre 20 e 40 anos é importante consolidar hábitos que favoreçam a saúde vascular e física. Na meia-idade, o monitoramento da pressão arterial, glicemia e colesterol, além do cuidado com a audição e a manutenção da massa muscular, são essenciais. Após os 65 anos, intervenções podem melhorar a neuroplasticidade, a mobilidade e a autonomia.
Dra. Érica também destaca a importância de uma rotina com atividade física regular, estímulos cognitivos como aprender um novo idioma ou instrumento musical, sono de qualidade e convívio social ativo. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras prebióticas que favorecem a microbiota intestinal, complementa essas medidas, sem que um único alimento seja considerado solução isolada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



