SaferNet revela 1.093 endereços ativos no Telegram com indícios de abuso infantil
Levantamento inédito de quase 15 mil links denunciados foi apresentado à ANPD para investigação
Um levantamento inédito da SaferNet Brasil analisou 14.969 endereços únicos do Telegram denunciados ao Canal de Denúncias da organização entre 2017 e 2026. A pesquisa revelou que, em agosto de 2026, 1.958 desses links permaneciam ativos e públicos, sendo 1.093 deles associados a indícios de material relacionado à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Os resultados foram protocolados pela SaferNet em 13 de agosto na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que poderá investigar possíveis falhas sistêmicas da plataforma e verificar o cumprimento dos deveres de comunicação e transparência previstos na legislação brasileira.
Principais achados do levantamento
A pesquisa reúne o acervo completo de denúncias contra o Telegram acumulado pela SaferNet em quase uma década, com dados obtidos por meio da API pública do Telegram, sem acesso a mensagens ou dados privados dos usuários.
- 8.160 endereços (54,5%) já estavam inexistentes ou removidos;
- 4.851 convites (32,4%) estavam revogados;
- Dos 1.958 endereços ativos, 435 eram convites válidos para grupos privados;
- Entre os links ativos, 1.093 apresentavam indícios de violência sexual contra crianças e adolescentes, distribuídos entre perfis de usuários e robôs, convites, canais e grupos;
- Foram identificados ainda 22 links potencialmente associados a grupos e canais de automutilação e incitação ao suicídio;
- A análise dos links ativos permitiu descobrir 468 canais do Telegram até então desconhecidos na base de denúncias;
- A distribuição temporal dos registros indica crescimento acentuado a partir de 2022, com pico histórico de denúncias em julho de 2026.
Metodologia e encaminhamentos
A verificação utilizou exclusivamente a camada pública de pré-visualização da plataforma (domínio t.me), com consultas determinísticas via API, sem autenticação, ingresso em grupos ou acesso a mensagens, mídias ou dados de participantes. A lista completa dos endereços ativos foi encaminhada às autoridades para fins de investigação.
Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, afirmou que o Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso ocorre, mas uma infraestrutura que, devido à sua arquitetura técnica, modelo de monetização e postura de moderação, viabiliza a produção, distribuição e comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial.
Contexto legal e solicitações à ANPD
O levantamento foi apresentado em um momento de mudanças significativas no marco legal brasileiro. Desde março de 2026, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) obriga plataformas a prevenir riscos, remover e comunicar conteúdos de exploração e abuso sexual, sob pena de multas de até R$ 50 milhões. A ANPD foi designada autoridade fiscalizadora.
Além disso, decretos que atualizam o Marco Civil da Internet e alterações penais recentes aumentaram a responsabilização por crimes digitais relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes. Com base nesse novo arcabouço, a SaferNet solicitou à ANPD a instauração de procedimento de fiscalização ou a juntada dos dados a processos já em curso.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



