Falta de tempo pesa mais que informação na alimentação

Pesquisa revela como rotina intensa, preço e praticidade dificultam escolhas saudáveis e destaca papel da escola na infância

Saber quais alimentos fazem bem nem sempre é suficiente para colocá-los no prato todos os dias. Uma pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Pensi em parceria com o Pacto Contra a Fome mostra que a falta de tempo, a rotina intensa, o preço e a praticidade pesam mais nas escolhas alimentares das famílias do que a falta de informação.

O estudo Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável ouviu moradores de São Paulo, Belém, Fortaleza, Goiânia e Porto Alegre para entender como fatores econômicos, sociais e culturais influenciam a alimentação no dia a dia.

Por que a alimentação saudável fica difícil na rotina?

Conciliar trabalho, deslocamentos, cuidados com a família e planejamento das refeições pode transformar cada escolha alimentar em mais uma tarefa na lista. Nesse cenário, alimentos ultraprocessados e refeições de fast food ganham espaço por serem práticos, convenientes e, em alguns casos, associados a conforto emocional.

O levantamento também aponta que o custo dos alimentos, as desigualdades sociais e o ambiente alimentar interferem diretamente no que chega à mesa. Assim, conhecer as recomendações nutricionais não elimina as barreiras concretas enfrentadas pelas famílias.

Outro ponto destacado é a participação das crianças nas decisões alimentares da casa. Preferências, pedidos e experiências vividas na escola podem influenciar os hábitos de toda a família.

Escola pode ajudar a formar hábitos

Com refeições oferecidas diariamente, a escola aparece como um espaço estratégico para ampliar o acesso a alimentos saudáveis e promover educação alimentar de forma contínua. A nutricionista Andressa Meira, da Merendô, afirma que a instituição complementa o trabalho realizado pela família, especialmente porque muitas crianças fazem as principais refeições no ambiente escolar.

Para ela, a alimentação escolar precisa reunir mais do que qualidade nutricional. Segurança microbiológica, facilidade logística, estabilidade durante o armazenamento, boa aceitação pelas crianças e viabilidade econômica também são critérios importantes.

“Além da qualidade nutricional estabelecida pelo FNDE, um alimento adequado para o ambiente escolar precisa apresentar segurança microbiológica, facilidade logística, estabilidade durante o armazenamento, boa aceitação pelas crianças e viabilidade econômica para os gestores públicos e privados”, afirma Andressa Meira.

Praticidade e qualidade podem caminhar juntas

Segundo a nutricionista, a praticidade não precisa ser sinônimo de escolhas menos nutritivas. “Produtos elaborados com ingredientes naturais, boa estabilidade e facilidade de consumo ajudam as famílias a fazer escolhas melhores sem aumentar o tempo de preparo”, diz.

Entre as recomendações associadas ao estudo estão o fortalecimento das políticas de alimentação escolar e a ampliação da oferta de alimentos in natura e minimamente processados nas escolas. O objetivo é que o contato com opções mais saudáveis faça parte da rotina desde cedo.

Os efeitos desse cuidado podem ultrapassar o momento da refeição. De acordo com Andressa Meira, a alimentação escolar está relacionada ao desenvolvimento infantil, à atenção, ao rendimento e à formação de hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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