Estudo propõe reserva de cadeiras para aumentar mulheres na política
Pesquisa do Instituto Esfera sugere substituir cotas de candidatura por reserva de cadeiras para ampliar representação feminina
Apesar do aumento significativo no número de mulheres candidatas, a presença feminina nos cargos eletivos no Brasil ainda é desproporcional. O estudo A Democracia Incompleta: Sub-Representação Feminina na Política Brasileira e Caminhos para a Paridade, elaborado pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação, propõe mudanças no modelo atual para ampliar a participação das mulheres na política.
Uma das principais sugestões é a transição gradual da atual cota de 30% de candidaturas para a reserva de ao menos 20% das cadeiras legislativas destinadas a mulheres nas disputas para deputadas e vereadoras. Essa proposta está em debate no contexto do Novo Código Eleitoral (PLP 112/2021).
Mais candidatas, mas menos eleitas
O levantamento indica que o sistema de cotas vigente desde 1997 aumentou o número de mulheres que disputam eleições, mas não garantiu proporcionalmente a eleição delas. Na Câmara dos Deputados, o número de candidatas subiu de 358 em 1998 para 3.668 em 2022, um crescimento de 925%. No entanto, o número de deputadas eleitas cresceu apenas 210%, passando de 29 para 90 no mesmo período.
Nas eleições de 2022, a bancada feminina no Senado Federal diminuiu para 12,3%, com 10 senadoras entre 81 cadeiras. Nas eleições municipais de 2024, mais de 3.000 câmaras municipais não elegeram nenhuma vereadora.
O estudo, conduzido pela jornalista Daniela Matos e pelo diretor acadêmico do Instituto Esfera, Fernando Meneguin, reúne dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, do Senado Federal e do Observatório Nacional da Mulher na Política para analisar os fatores que limitam a eleição de mulheres no Brasil.
Propostas para avançar na paridade
Além da reserva de cadeiras, o estudo recomenda a adoção de um sistema eleitoral de lista fechada, no qual o voto é direcionado ao partido e não a candidatos individuais. Esse modelo permite a alternância de gênero nas listas, favorecendo uma representação mais equilibrada.
Outras recomendações incluem:
- maior fiscalização dos recursos públicos destinados às campanhas;
- identificação rápida de candidaturas fictícias;
- responsabilização em casos de violência política de gênero e raça;
- fortalecimento da autonomia das Procuradorias da Mulher;
- medidas para conciliar a atividade política com a vida pessoal e familiar.
Referência internacional: México
O México é citado como exemplo de país que avançou do sistema de cotas para um modelo de paridade nas duas casas do Congresso, alcançando cerca de 50% de representação feminina. Em 2024, o país elegeu pela primeira vez uma mulher para a Presidência da República, Claudia Sheinbaum.
O Brasil, por sua vez, ocupa a 134ª posição entre 183 países avaliados em termos de representação feminina e está na última colocação entre as nações latino-americanas, atrás de países como México e Bolívia.
Para Camila Funaro Camargo Dantas, CEO do Instituto Esfera e da Esfera Brasil, a sub-representação feminina é um limite estrutural à qualidade da democracia brasileira. Ela destaca que regras de oportunidade sozinhas não são suficientes e que é necessário avançar para mecanismos que garantam resultados efetivos na busca pela paridade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



