SP-Arte Rotas 2026 destaca corpos, desejo e liberdade
Feira em São Paulo reúne 70 galerias e obras que questionam normas de gênero, sexualidade, beleza e representação entre 26 e 30 de agosto
O que pode um corpo quando deixa de ser apenas imagem e passa a funcionar como linguagem, memória e território político? Essa é uma das perguntas que atravessam a 5ª edição da SP-Arte Rotas, feira que acontece de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo. Ao todo, 70 galerias, museus e projetos especiais participam do evento.
Com trabalhos de pintura, fotografia, performance, cinema, desenho e ficção, a programação coloca em evidência corpos mutáveis, sexualidades dissidentes, espiritualidade, desejo e liberdade de existir. As obras questionam padrões rígidos de gênero, beleza e representação, além de propor outras maneiras de imaginar a vida em sociedade.
Artistas exploram desejo, ancestralidade e transformação
Entre os destaques está a individual de La Chola Poblete, apresentada pela galeria Barro, de Buenos Aires. Com pinturas recentes, produzidas entre 2025 e 2026, a artista articula imagens do corpo, referências indígenas e populares, desejo, violência e uma apropriação crítica de símbolos coloniais e religiosos. Poblete participou da última Bienal de Veneza e teve uma mostra individual no MASP entre março e agosto de 2026.
A galeria Yehudi Hollander-Pappi, de São Paulo, apresenta um projeto solo de Castiel Vitorino Brasileiro. A exposição reúne pinturas e dois vídeos dedicados a temas como corpo, espiritualidade, trauma e cura. A partir da psicologia bantu-brasileira, a artista trabalha a ideia de transmutação como a possibilidade de mudar de forma sem perder a continuidade.
Na proposta de Castiel, a cura não aparece como uma volta ao passado, mas como um direito à transformação. Vida e morte também são entendidas como espaços de passagem entre memória, matéria e ancestralidade.
Encruzilhadas e paisagens ampliam o debate
O projeto “Pontos de Fuga do Desejo”, parceria entre a ORMA, de Milão, e a MaPa, de São Paulo, reúne a produção histórica de Sérgio Lima e a pesquisa contemporânea de Luciano Maia. Pinturas, desenhos e cerâmicas aproximam surrealismo, erotismo e narrativas amazônicas.
Já a Mitre Galeria apresenta “Toda rota começa na encruzilhada”, com artistas como Manauara Clandestina, Gê Viana, Rafael RG e Sandro Ayê. A encruzilhada é tratada como espaço de movimento, negociação e multiplicidade, onde experiências de raça, gênero, território e sexualidade podem coexistir.
Na Galeria Pórtico, trabalhos de Gegé Mbakudi, Lilian Walker, Lucimélia Romão, Peter de Brito e outros artistas abordam identidade, cidade, corpo e deslocamento. A Gruta, por sua vez, usa o jardim como território simbólico, mítico e político para investigar as relações entre natureza, desejo, corpo e ficção.
Serviço
A SP-Arte Rotas 2026 será realizada na ARCA, na Avenida Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo. O evento abre para convidados em 26 de agosto. Nos dias 27 e 28, funciona das 13h às 20h; no dia 29, das 12h às 20h; e no dia 30, das 12h às 19h.
A programação de conversas do Palco SP-Arte acontece de 27 a 29 de agosto, com artistas, curadores, colecionadores e outros profissionais do setor. Entre os nomes anunciados estão Ayrson Heráclito, Carmela Gross, Júlia Rebouças e Jacopo Crivelli Visconti.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



