Quedas atingem 1 em 4 idosos; prevenção vai além do equilíbrio

Dados mostram o impacto das quedas na velhice e especialistas destacam atenção, percepção e autonomia como parte da prevenção.

Uma em cada quatro pessoas idosas sofre uma queda todos os anos no Brasil. O dado do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) ajuda a dimensionar um problema que pode comprometer muito mais do que a integridade física: a autonomia, a mobilidade e a vida social.

Entre pessoas com mais de 80 anos, a prevalência chega a 40%, conforme o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Em 2025, o país registrou 9.050 mortes de idosos por quedas e 85.169 atendimentos relacionados ao problema, segundo os números mais recentes do Ministério da Saúde. As internações cresceram quase 9% entre 2024 e 2025.

Por que uma queda pode mudar a rotina

O impacto não termina necessariamente quando a lesão é tratada. O medo de cair novamente pode fazer com que a pessoa reduza suas atividades, caminhe menos e evite sair de casa. Com o tempo, esse ciclo pode favorecer isolamento social, perda de mobilidade e dependência para tarefas cotidianas.

Por isso, a prevenção costuma incluir exercícios para força e equilíbrio, iluminação adequada, retirada de obstáculos e avaliação das condições de saúde. Mas especialistas defendem que outro aspecto também precisa entrar nessa conversa: a dimensão cognitiva.

Atenção e percepção também fazem parte da prevenção

Atenção, percepção do ambiente, avaliação de riscos e tomada de decisão influenciam situações comuns, como atravessar uma rua, subir um degrau ou circular em um espaço pouco conhecido. Essas funções podem ser estimuladas ao longo da vida, junto da atividade física, da participação social e de hábitos saudáveis.

“Promover a inserção social em espaços que estimulem participação, autonomia e independência aumenta a qualidade de vida e a realização das funções cotidianas e de lazer”, afirma Thaís Bento Lima da Silva, gerontóloga, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e parceira científica do Supera — Estimulação Cognitiva.

A especialista também ressalta que não existe um único perfil de envelhecimento. “Ao longo do processo de envelhecimento teremos diferentes perfis de idosos. Entender e avaliar esses perfis considerando sua funcionalidade é questão premente para promover ações mais eficazes e direcionadas”, explica.

O que diz o estudo brasileiro

Um ensaio clínico conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com o Departamento de Gerontologia da EACH-USP, acompanhou pessoas idosas saudáveis durante 18 meses de atividades de estimulação cognitiva e mais seis meses de avaliação sem a prática. O trabalho foi publicado na revista International Psychogeriatrics.

Os resultados indicaram redução de queixas cognitivas, melhora de memória e diminuição de sintomas depressivos, com efeitos mantidos após o período de acompanhamento. O estudo reforça a importância de cuidar da saúde cognitiva, embora esses resultados não signifiquem, isoladamente, que a estimulação cognitiva elimine o risco de quedas.

Com o envelhecimento da população, preservar a independência exige uma combinação de cuidados. Fortalecer o corpo, manter a mente ativa, cultivar vínculos sociais e adaptar os ambientes são medidas que podem ajudar a proteger a qualidade de vida na velhice.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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