Redes sociais e saúde mental na velhice: equilíbrio é fundamental

Estudo canadense relaciona uso frequente das redes sociais a pior percepção de saúde mental entre idosos

O uso das redes sociais tem se tornado cada vez mais comum entre pessoas com 60 anos ou mais, mas um estudo canadense envolvendo 13,5 mil idosos aponta que o uso frequente dessas plataformas pode estar associado a uma pior percepção da saúde mental nessa faixa etária.

Importante destacar que a pesquisa não estabelece uma relação de causa e efeito, mas chama atenção para a complexidade do impacto da tecnologia no bem-estar dos idosos. Além do tempo conectado, o tipo de atividade digital e o contexto em que ela ocorre são fatores relevantes.

Diferenças entre ferramentas digitais

O estudo canadense identificou que ferramentas de comunicação mais diretas, como o e-mail, estão associadas a uma percepção positiva da saúde mental, enquanto o uso intenso das redes sociais se relaciona a uma percepção menos favorável.

Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, empresa especializada em estimulação cognitiva, ressalta que o objetivo não é afastar os idosos do ambiente digital, mas promover uma relação consciente com a tecnologia. “Diferentes atividades digitais exigem diferentes tipos de atenção e envolvimento. O importante é que o uso da tecnologia faça parte de uma rotina mais ampla, que também inclua aprendizagem, interação social, atividade física e estímulos cognitivos”, afirma.

Estimulação cognitiva e envelhecimento saudável

Complementando essa perspectiva, um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, com colaboração do Departamento de Gerontologia da EACH-USP e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do HCFMUSP, acompanhou 207 idosos saudáveis e com alta escolaridade. Eles foram divididos em grupos que participaram de um programa de estimulação cognitiva, de palestras sobre envelhecimento saudável ou que não receberam intervenção.

Entre os participantes do programa de estimulação cognitiva, houve redução de 60% nas queixas cognitivas e melhora de aproximadamente 45% na memória ao longo de 12 meses. Também foram observados redução de 29% nos sintomas depressivos e ganhos em funções executivas. O estudo, publicado na revista International Psychogeriatrics, não avaliou especificamente o impacto das redes sociais.

“A estimulação cognitiva faz parte de um conjunto de hábitos que contribuem para um envelhecimento mais saudável. Quando uma pessoa aprende algo novo, resolve problemas, exercita a memória e interage com outras pessoas, ela está oferecendo diferentes estímulos ao cérebro”, explica Patrícia.

Buscando equilíbrio no uso das redes sociais

Para que a tecnologia seja uma aliada no envelhecimento saudável, é fundamental que não substitua experiências presenciais e atividades variadas. Uma rotina equilibrada pode incluir:

  • conversas presenciais e participação na comunidade;
  • aprendizado de novas habilidades;
  • atividades que envolvam memória, atenção e raciocínio;
  • movimento do corpo e atividade física;
  • uso consciente das redes sociais, observando como elas afetam o humor.

“A tecnologia pode ser uma ferramenta importante para comunicação, aprendizagem e autonomia. Mas ela não deve ocupar o espaço de experiências que também são fundamentais para o cérebro, como conversar presencialmente, aprender, movimentar o corpo, resolver desafios e participar da vida em comunidade”, conclui a especialista.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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