Perimenopausa: sintomas surgem antes dos fogachos
Sono ruim, ansiedade e falhas de memória podem aparecer mesmo com menstruação regular
Você tem acordado no meio da noite, esquecido palavras simples ou se irritado com mais facilidade? Para mulheres a partir dos 40 anos, esses sinais podem indicar o início da perimenopausa — fase de transição que antecede a menopausa e pode começar antes dos sintomas mais conhecidos, como os fogachos.
É importante destacar que, durante essa fase, a menstruação pode continuar regular, mesmo com alterações no sono, humor, memória, ansiedade e concentração. Por isso, sintomas frequentemente atribuídos ao estresse ou a fases emocionais difíceis merecem atenção médica.
Por que os sintomas aparecem antes da menopausa?
No começo da perimenopausa, o estradiol pode oscilar bastante dentro de um mesmo ciclo, e períodos com ovulação podem se alternar com ciclos sem ovulação. Essa instabilidade hormonal afeta áreas do cérebro relacionadas ao sono, humor, memória e resposta ao estresse.
A ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta explica que a redução das ovulações também diminui a progesterona, hormônio que atua como um calmante natural para o cérebro. Com essa redução, podem surgir insônia, irritabilidade e dificuldade de concentração.
“Durante muito tempo, a perimenopausa foi vista como uma fase de falta de hormônio, mas o que muitas mulheres enfrentam primeiro é a imprevisibilidade do sinal hormonal, e o cérebro percebe essa mudança antes mesmo do primeiro fogacho”, afirma Fabiane.
O diagnóstico depende de exame de sangue?
Segundo a especialista, não. O FSH e o estradiol oscilam durante a transição, portanto um resultado normal não exclui a perimenopausa, e um valor alto isolado não a confirma.
A partir dos 45 anos, com sintomas e alterações persistentes no ciclo, o diagnóstico é clínico, baseado no padrão menstrual e na história da paciente. Outras causas, como alterações da tireoide, anemia, depressão, apneia do sono e efeitos de medicamentos, também devem ser descartadas.
Quando buscar ajuda?
É recomendável procurar avaliação médica quando alterações no sono, memória, humor ou ansiedade persistirem ou prejudicarem a rotina, especialmente se acompanhadas de mudanças no ciclo menstrual.
O tratamento é individualizado e pode incluir terapia hormonal para algumas mulheres, além de intervenções para o sono, tratamento da ansiedade, atividade física, mudanças de hábitos e estratégias não hormonais.
“Ela não está exagerando, não está inventando e não precisa esperar o primeiro fogacho para buscar ajuda. Há uma explicação biológica possível, há diagnóstico e há tratamento”, conclui a pesquisadora.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



