Equoterapia para autismo: benefícios e cuidados essenciais

Prática usa o cavalo como agente terapêutico e pode favorecer equilíbrio, interação e autorregulação, mas exige avaliação e cuidados especializados.

A equoterapia tem se consolidado no Brasil como uma prática terapêutica que vai além do simples passeio a cavalo, utilizando o animal como um agente biológico e social para promover melhorias em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições.

Dados da Associação Nacional de Equoterapia (Ande Brasil), publicados na Revista Horse, indicam que o país conta com cerca de 450 centros de atendimento, entre entidades filiadas e agregadas, que oferecem suporte a aproximadamente 25 mil pessoas com necessidades específicas, incluindo autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down e esclerose múltipla.

Benefícios da equoterapia para pessoas com autismo

O médico e professor da pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr. Drusus Pérez Marques, explica que a interação com o cavalo e o instrutor pode favorecer a socialização, o contato visual, o equilíbrio e a coordenação motora. “A comunicação, especialmente a não verbal, também pode ser trabalhada, já que o cavalo se comunica de forma não verbal e essa interação pode trazer benefícios”, afirma.

Ele destaca que os movimentos e a postura do cavalo, aliados à necessidade de atenção durante a atividade, proporcionam estímulos variados que auxiliam na autorregulação e percepção corporal. Crianças com baixa autoestima, dificuldades motoras, alterações sensoriais e desafios de equilíbrio podem se beneficiar da prática, que oferece um ambiente seguro e estimulante.

Contraindicações e cuidados

Apesar dos benefícios, a equoterapia não é indicada para todos. O neurologista aponta contraindicações como epilepsia, transtornos motores com risco de queda, deformidades ortopédicas graves e medo intenso de cavalos ou de altura que cause desregulação e impeça o desenvolvimento das atividades.

Assim, a avaliação individualizada é fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento, considerando as condições clínicas, motoras, sensoriais e comportamentais de cada pessoa.

Importância do bem-estar animal na terapia

Em Minas Gerais, a Lei 26.012, publicada no Diário Oficial do estado em julho de 2026, reconhece expressamente a reabilitação de pessoas com deficiência por meio da equoterapia e outras práticas terapêuticas com animais, estabelecendo diretrizes para assegurar o bem-estar físico, nutricional, ambiental, comportamental e emocional dos animais envolvidos.

A médica veterinária e professora da Afya São João del Rei, Dra. Sylvia Rocha Silveira Pires, ressalta que o cavalo é o principal agente terapêutico. “Seu andar produz um movimento tridimensional semelhante ao da bacia humana durante a marcha”, explica.

Ela destaca que o animal deve ter porte adequado, marcha regular e equilibrada, boa saúde e comportamento dócil, tranquilo e previsível. Além disso, precisa passar por treinamento específico e avaliações contínuas para garantir a segurança do praticante e do próprio cavalo durante as sessões.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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