Mounjaro e retinopatia diabética: o que dizem as evidências recentes
Estudos indicam segurança do medicamento, mas avaliação oftalmológica é recomendada para pacientes com diabetes
O medicamento Mounjaro, cuja substância ativa é a tirzepatida, tem ganhado destaque no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle do peso. Com sua popularização, surgiu uma dúvida importante entre pacientes: o uso do Mounjaro pode prejudicar a visão, especialmente em quem já apresenta retinopatia diabética?
A retinopatia diabética é uma complicação comum do diabetes, causada pelo dano nos pequenos vasos sanguíneos da retina, a parte do olho responsável pela formação das imagens. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode evoluir silenciosamente e levar à perda significativa da visão ou até cegueira.
O que indicam as pesquisas recentes
Estudos publicados em 2026 acompanharam pacientes com diabetes tipo 2 considerados de alto risco e não encontraram aumento na progressão da retinopatia diabética entre aqueles que utilizaram tirzepatida, em comparação com outros tratamentos para o diabetes. Além disso, pesquisas divulgadas na revista científica Ophthalmology sugerem que o medicamento pode estar associado a um menor risco de desenvolvimento ou agravamento da retinopatia, reduzindo também a necessidade de tratamentos invasivos, como aplicações intraoculares e fotocoagulação a laser.
Esses dados indicam que a tirzepatida, por si só, não representa uma ameaça à saúde da retina. O controle adequado da glicemia continua sendo o principal fator para prevenir complicações oculares em pacientes diabéticos.
A importância do acompanhamento oftalmológico
Apesar dos resultados positivos, é fundamental que pacientes com diabetes de longa duração ou com retinopatia já diagnosticada realizem uma avaliação oftalmológica antes de iniciar o tratamento com tirzepatida. Isso porque uma redução rápida da glicemia pode causar uma piora temporária da retinopatia, fenômeno conhecido como “piora precoce da retinopatia diabética”, que não é exclusivo do Mounjaro e pode ocorrer com outros medicamentos eficazes no controle do diabetes.
Durante os primeiros meses de uso, quando a redução da glicemia tende a ser mais intensa, o acompanhamento oftalmológico é essencial para monitorar possíveis alterações e garantir a segurança do paciente.
Sinais que indicam necessidade de avaliação imediata
Pacientes devem procurar atendimento oftalmológico sem demora caso apresentem sintomas como:
- moscas volantes;
- flashes luminosos;
- visão embaçada com piora rápida;
- perda parcial do campo visual;
- qualquer alteração visual significativa.
Cuidados com a aquisição do medicamento
O aumento da procura pela tirzepatida também trouxe riscos relacionados à venda irregular e manipulação sem controle sanitário, práticas desaconselhadas por entidades médicas. Desde 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige receita médica em duas vias para a dispensação desses medicamentos, com retenção de uma via pela farmácia, visando aumentar a segurança dos pacientes.
Em resumo, o Mounjaro representa um avanço importante no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, com evidências que indicam segurança para a saúde ocular quando acompanhado adequadamente. A integração entre endocrinologista e oftalmologista é fundamental para garantir o controle metabólico e a preservação da visão.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



