Alzheimer: 6 mitos e verdades sobre memória e cuidado
Estudo com nanopartículas em modelo animal abre caminho para tratamentos futuros; especialistas destacam diagnóstico precoce e acolhimento
Um estudo internacional envolvendo pesquisadores da Espanha, Reino Unido e China reacendeu as discussões sobre o futuro do tratamento do Alzheimer. Em modelo animal, nanopartículas bioativas foram associadas à redução acelerada de marcadores ligados à doença. Embora promissor, o resultado ainda está longe de se tornar uma terapia disponível para humanos.
Enquanto a ciência avança, reconhecer os sinais iniciais e compreender a convivência com a doença permanecem essenciais. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros com mais de 60 anos vivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer a forma mais comum. A estimativa é que esse número mais do que triplique até 2050.
Esquecimento sempre indica Alzheimer?
Não. Esquecer nomes ocasionalmente pode ser parte do envelhecimento natural. O alerta surge quando as falhas de memória comprometem atividades diárias, segurança, autonomia ou orientação.
A neurologista Sonia Maria Brucki, coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do HCFMUSP e membro da Academia Brasileira de Neurologia, destaca que tanto a banalização dos sintomas quanto a associação imediata entre qualquer esquecimento e Alzheimer podem atrasar a busca por avaliação médica.
“Hoje já sabemos que identificar a doença precocemente faz diferença para o planejamento do cuidado, para a qualidade de vida e para o acesso às terapias disponíveis”, explica a especialista.
6 mitos e verdades sobre Alzheimer
- Perder nomes de vez em quando indica Alzheimer — mito: o problema precisa ser persistente e interferir na rotina.
- Memórias recentes são afetadas primeiro — fato: no início, há dificuldade para registrar ou recuperar informações novas, enquanto lembranças antigas permanecem por mais tempo.
- A música pode ajudar — fato: músicas ligadas a experiências afetivas estimulam conexões emocionais e cognitivas, reduzindo ansiedade, agitação e isolamento em alguns casos.
- Perder todas as memórias musicais — mito: esse tipo de memória pode permanecer ativo por mais tempo, especialmente quando associada a vivências repetidas.
- Alterações de comportamento tornam a convivência impossível — mito: acolhimento, rotina adaptada e apoio especializado ajudam a lidar com confusão, resistência e insegurança.
- Corrigir o paciente constantemente melhora a orientação — mito: insistir na correção pode aumentar frustração e agitação; o recomendado é acolher, redirecionar a conversa e priorizar segurança emocional.
Novas perspectivas no tratamento
Bruna Antinori, líder da área terapêutica em Alzheimer da Biogen, ressalta que a ciência tem avançado no desenvolvimento de terapias direcionadas aos mecanismos biológicos da doença, além do controle dos sintomas. Recentemente, tratamentos passaram a atuar diretamente sobre proteínas associadas à progressão do Alzheimer em estágio inicial, ampliando as opções para pacientes elegíveis.
Diante de sinais persistentes de perda de memória, alterações cognitivas ou mudanças comportamentais, a recomendação é buscar avaliação com neurologista ou geriatra. Familiares e cuidadores podem encontrar suporte e informação em entidades como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz).
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



