Enamed: AMB defende rigor na formação médica para garantir segurança
Entidade destaca que qualidade dos cursos de Medicina é questão de interesse público
O diploma de Medicina representa seis anos de estudo, mas, para a Associação Médica Brasileira (AMB), ele precisa significar mais do que a conclusão formal de uma graduação. A entidade defende que os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) sejam usados para identificar falhas nos cursos e orientar medidas concretas de melhoria.
O posicionamento foi divulgado após a Justiça Federal suspender os resultados considerados insuficientes no Enamed e, consequentemente, as punições anunciadas pelo Ministério da Educação (MEC) para cursos classificados como insatisfatórios. A AMB afirma respeitar as decisões judiciais, mas sustenta que o debate sobre a qualidade do ensino médico não pode ficar parado.
Por que a formação médica é uma questão de saúde pública?
Para a associação, as diferenças de desempenho entre escolas médicas não são apenas um problema acadêmico. Elas podem afetar a preparação dos profissionais que atenderão milhões de brasileiros em consultórios, prontos-socorros e hospitais.
“Quando a formação médica é deficiente, o problema não termina dentro da universidade. Ele chega ao consultório, ao pronto-socorro e ao hospital. Estamos falando de profissionais que tomarão decisões que podem significar a diferença entre a vida e a morte. Por isso, avaliar a qualidade das escolas médicas é também proteger a população”, afirma a presidente em exercício da AMB, Dra. Luciana Rodrigues Silva.
A entidade também chama atenção para a expansão do número de escolas e vagas de Medicina nos últimos anos. Na avaliação da AMB, ampliar a quantidade de médicos pode ajudar a assistência, mas a medida precisa vir acompanhada de estrutura adequada, hospitais de ensino, campos de prática, laboratórios e professores qualificados.
O que a AMB defende para os cursos com baixo desempenho?
A associação afirma que não apoia punições indiscriminadas nem o fechamento automático de instituições. A proposta é que os cursos com desempenho insuficiente apresentem planos objetivos de melhoria, com metas claras e acompanhamento rigoroso.
Ao mesmo tempo, a entidade considera que resultados persistentemente baixos não devem ser naturalizados. Para a AMB, estudantes também são prejudicados quando recebem uma formação incompatível com a responsabilidade da profissão e com o investimento de tempo e dinheiro feito pelas famílias.
“O estudante também é vítima de uma formação inadequada. São seis anos de dedicação e, muitas vezes, um investimento financeiro significativo das famílias. Ele tem o direito de receber uma formação compatível com a responsabilidade da profissão que escolheu. O que não podemos admitir é que as deficiências desse processo acabem transferindo riscos para os pacientes”, ressalta Luciana.
Avaliação contínua e segurança do paciente
A AMB defende um sistema permanente de avaliação da formação médica, baseado em critérios transparentes, independência técnica, acompanhamento contínuo e consequências proporcionais aos resultados das instituições.
Na visão da entidade, a discussão sobre o ensino médico precisa ir além do número de profissionais formados e responder a uma pergunta essencial: que médicos o Brasil está formando? “A segurança do paciente deve estar acima de tudo”, afirma a presidente em exercício da associação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



