Autismo, TDAH e Bipolaridade: Entenda as Diferenças no Diagnóstico Adulto
Sintomas semelhantes podem levar a diagnósticos equivocados; especialista destaca a importância da avaliação detalhada da história de vida
Impulsividade, agitação, irritabilidade e oscilações emocionais são sintomas comuns em autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e transtorno bipolar, o que pode levar a diagnósticos equivocados, especialmente em adultos. O neurologista Dr. Matheus Luis Castelan Trilico, especialista no atendimento a adultos neurodivergentes, destaca que a principal diferença entre essas condições está na origem e na duração dos sintomas.
Enquanto o transtorno bipolar se caracteriza por crises ou episódios que surgem e desaparecem, o autismo e o TDAH são condições do neurodesenvolvimento, presentes desde a infância e que refletem a forma como o cérebro sempre funcionou. Essa distinção é crucial para direcionar o tratamento adequado.
Semelhanças e desafios no diagnóstico
Os sintomas superficiais, como impulsividade e agitação, podem ser semelhantes entre as três condições, o que dificulta a identificação correta. No entanto, o Dr. Trilico ressalta que, no autismo, é comum haver alterações sensoriais, necessidade de previsibilidade e dificuldades de interação social, enquanto o TDAH se manifesta por desatenção e hiperatividade. A combinação dessas duas condições, denominada “AUTDAH”, pode gerar uma exaustão mental que se assemelha a quadros de depressão ou irritabilidade.
Coexistência e riscos associados
Dados científicos indicam que entre 50% e 70% das pessoas no espectro autista também apresentam critérios para TDAH, evidenciando a frequência da coexistência dessas condições. Além disso, o risco de desenvolver transtorno bipolar é significativamente maior em pessoas com autismo ou TDAH — cerca de nove vezes maior para autistas e 8,7 vezes maior para adultos com TDAH, segundo o neurologista.
Estima-se que aproximadamente 17% das pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar também convivam com TDAH sem diagnóstico prévio. Essa sobreposição pode estar relacionada a fatores genéticos e neurobiológicos compartilhados, o que torna essencial uma avaliação detalhada da história de vida do paciente para um diagnóstico preciso.
Importância da avaliação da história de vida
Para diferenciar traços persistentes de episódios de humor, é fundamental reconstruir a trajetória do paciente, incluindo infância, adolescência, relações interpessoais, rotina e respostas a tratamentos anteriores. O Dr. Trilico enfatiza que “o diagnóstico exige um olhar muito mais profundo do que apenas observar os sintomas do momento; é preciso reconstruir toda a história de vida do paciente”.
Além disso, pessoas neurodivergentes costumam apresentar maior sensibilidade a efeitos colaterais de medicamentos, o que requer estratégias terapêuticas personalizadas. Em casos de suspeita de bipolaridade associada ao autismo ou TDAH, a prioridade é estabilizar o humor antes de tratar sintomas como desatenção ou hiperatividade, para evitar crises de mania desencadeadas por estimulantes.
Diagnóstico como ferramenta para o bem-estar
Receber o diagnóstico correto na vida adulta não significa apenas receber um rótulo, mas sim obter clareza sobre a própria neurobiologia. Isso pode ajudar a reduzir sentimentos de culpa, melhorar a compreensão dos próprios padrões comportamentais e facilitar a adoção de estratégias que promovam funcionalidade e qualidade de vida.
O Dr. Trilico reforça que o objetivo final do diagnóstico e do tratamento é o bem-estar do paciente, permitindo que ele trabalhe a favor do próprio cérebro, em vez de lutar contra ele.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



