Leitura compartilhada fortalece vínculo entre pais e filhos

Estudos recentes destacam benefícios da leitura em família para o desenvolvimento infantil

Separar dez minutos para ler com os filhos pode ser mais do que uma forma de estimular o gosto pelos livros. A leitura compartilhada cria um momento de presença, conversa e acolhimento — especialmente em uma rotina dividida entre trabalho, tarefas domésticas e telas.

Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Psychology, que reuniu resultados de diversos estudos, concluiu que esse hábito favorece o desenvolvimento da linguagem, das habilidades cognitivas e socioemocionais, além de estreitar a relação entre pais e filhos. Já um estudo publicado em 2026 na revista Pediatric Research acompanhou crianças desde o nascimento e observou melhores indicadores de desenvolvimento na primeira infância entre aquelas que tiveram mais momentos de leitura compartilhada.

O que a leitura muda na relação

Para a psicóloga clínica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, o benefício não está apenas no conteúdo da história, mas na atenção dedicada à criança. “Ler para uma criança é muito mais do que apresentar histórias. É dizer, sem palavras: ‘eu tenho tempo para você’. A leitura oferece presença, segurança e fortalece a conexão entre pais e filhos, algo essencial para o desenvolvimento saudável”, afirma.

Durante a leitura, adulto e criança dividem atenção, imaginação e afeto. Segundo a especialista, essa experiência ajuda a criança a associar a presença dos pais ao acolhimento e à escuta, criando memórias de segurança emocional.

O hábito pode começar nos primeiros meses de vida. Mesmo sem compreender o sentido das palavras, o bebê reconhece a voz, o ritmo e a entonação de quem lê. As histórias também apresentam sentimentos como medo, tristeza, alegria e frustração de maneira segura, ajudando a criança a reconhecer e elaborar as próprias emoções.

Como criar o hábito sem transformar em obrigação

A leitura não precisa seguir uma rotina complicada nem durar muito tempo. O mais importante é que aconteça com frequência e sem cobranças. Dez minutos antes de dormir, uma história no sofá ou alguns minutos para olhar um livro juntos já podem abrir espaço para a conexão.

“O exemplo é o maior incentivo. Quando a criança vê os adultos lendo e percebe que os livros fazem parte da rotina da família, ela entende que a leitura tem valor. Criar pequenos momentos diários, mesmo que sejam apenas dez minutos antes de dormir, costuma ser mais eficaz do que transformar a leitura em uma obrigação”, destaca Anastacia.

Também vale conversar sobre o que foi lido, perguntar o que a criança achou e relacionar a história a situações do cotidiano. Para Carmen Pareras, diretora da Distribuidora Librum, “a história acaba, mas a conversa continua”. Essa troca pode despertar curiosidade, facilitar diálogos sobre emoções e criar lembranças afetivas duradouras.

Em meio à disputa constante por atenção entre celulares, tablets e televisores, abrir um livro juntos é uma maneira simples de reservar tempo para ouvir, imaginar e estar presente. Mais do que completar uma atividade, o momento pode mostrar à criança que ela é importante.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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