Project Pan: consumir menos também pode ser criativo
Movimento propõe usar cosméticos até o fim e questiona a pressão por novidades nas redes, especialmente entre influenciadores de beleza.
Comprar um cosmético novo pode parecer parte da rotina de beleza — e, para quem produz conteúdo, também pode ser parte do trabalho. Mas o Project Pan propõe uma pausa nessa lógica: usar um produto até o fim, ou chegar o mais perto possível disso, antes de substituí-lo. A tendência ganhou força no universo da beleza e hoje também conversa com consumo consciente, desperdício e saúde mental.
A proposta parece simples, mas desafia um hábito estimulado diariamente nas redes sociais: acompanhar cada lançamento, testar novidades e transformar compras em vídeos, resenhas, unboxings e recomendações. Para influenciadores, o dilema é ainda maior, já que a novidade muitas vezes funciona como matéria-prima do conteúdo.
Quando consumir vira parte da profissão
Segundo a psicóloga Jhoanne Hansen, especialista em saúde mental de criadores de conteúdo, da Desvirtua, o conflito não é apenas comercial. Ele também pode afetar a identidade do criador e a forma como ele se percebe.
“O influenciador está o tempo todo negociando entre aquilo que ele realmente pensa e aquilo que o ambiente digital parece pedir dele. Quando a plataforma recompensa novidade, frequência e tendência, pode surgir uma sensação de que, para continuar relevante, ele precisa estar sempre consumindo e apresentando alguma coisa nova. O Project Pan pode funcionar justamente como um questionamento dessa lógica”, afirma.
Na prática, o movimento pode envolver terminar uma maquiagem, um perfume, um item de skincare ou outro cosmético antes de comprar um semelhante. Mais do que economizar, a ideia é observar o que já existe em casa e questionar se a próxima compra atende a uma necessidade real ou apenas à pressão por acompanhar tendências.
Autenticidade exige coerência
Nas redes, o público costuma valorizar influenciadores que parecem verdadeiros. Ao mesmo tempo, esses profissionais podem receber convites para divulgar lançamentos e apresentar produtos que ainda não fazem parte de sua rotina. É nesse ponto que consumo e autenticidade entram em tensão.
“A autenticidade não significa que o criador precise rejeitar qualquer publicidade ou deixar de consumir. Ela está muito mais relacionada à coerência. Se ele defende uma postura de consumo consciente, mas aceita apresentar compulsivamente produtos que nem utiliza, pode surgir um conflito interno e também uma perda de credibilidade com o público”, explica Jhoanne.
O valor de usar o que já está em casa
Para a arteterapeuta Juliana Nasasi, especialista em expressão criativa simbólica e processos terapêuticos voltados ao bem-estar emocional, terminar um produto também pode mudar a relação com os objetos.
“Existe algo muito potente em terminar aquilo que já temos antes de buscar outra coisa. O objeto deixa de ser apenas um produto e passa a carregar uma história de uso, escolha e experiência”, diz.
Esse olhar também abre espaço para uma criatividade menos dependente de lançamentos. Um mesmo cosmético pode render comparações, diferentes formas de uso, relatos de experiência e descobertas sobre preferências pessoais. Afinal, produzir conteúdo — ou simplesmente cuidar da própria beleza — não precisa significar comprar o tempo todo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



