Álcool e câncer de mama: por que o risco preocupa

Dados apontam aumento do consumo abusivo entre brasileiras e associação entre bebidas alcoólicas e maior risco de câncer de mama.

O consumo de álcool entre mulheres brasileiras aumentou cerca de 70% em quase duas décadas, conforme dados do Ministério da Saúde reunidos pelo Vigitel. Nesse período, pesquisas científicas reforçaram um alerta importante para a saúde feminina: mesmo quantidades moderadas de bebidas alcoólicas estão associadas a um risco maior de câncer de mama.

Segundo o levantamento, a parcela de mulheres que relatou consumo abusivo passou de 9,2% para 15,7%. Embora os homens ainda apresentem índices mais altos, a aproximação dos padrões de consumo entre os gêneros chama atenção de especialistas.

Uma dose diária já aparece nas pesquisas

Uma meta-análise baseada em 53 estudos científicos avaliou a relação entre álcool e câncer de mama. Os resultados indicam que o consumo de cerca de 10 gramas de álcool por dia — aproximadamente uma dose — está associado a um aumento de 7% no risco de desenvolver a doença.

O risco cresce conforme a quantidade ingerida. Para mulheres que consomem de 35 a 44 gramas de álcool por dia, equivalente a três ou quatro doses, o aumento chega a 32%. Acima de quatro doses diárias, a elevação é de 46%.

Esses números representam associações observadas em estudos e não significam que toda mulher que consome álcool desenvolverá câncer. Ainda assim, ajudam a dimensionar por que o hábito é considerado um fator de atenção na prevenção.

Por que o organismo feminino pode ser mais vulnerável?

Segundo o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, obesidade e síndrome metabólica, as mulheres têm menor quantidade de água e enzimas para metabolizar o etanol. Isso pode fazer com que os efeitos da bebida apareçam mais cedo e com menor consumo.

No organismo, o etanol é metabolizado em acetaldeído, substância tóxica que pode danificar o DNA e dificultar o reparo das células. O álcool também pode afetar os níveis de estrogênio, hormônio relacionado ao desenvolvimento e à progressão do câncer de mama.

“Na abordagem sobre câncer de mama, consideramos que o consumo de álcool afeta os níveis de estrogênio, que têm papel importante no desenvolvimento e na progressão da doença”, destaca Buttros.

Atenção especial na menopausa

O álcool pode intensificar sintomas da perimenopausa e da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e piora do sono. Nessa fase, a bebida ainda pode interferir na absorção de cálcio, na pressão arterial e no metabolismo hormonal.

Para mulheres em reposição hormonal, um estudo realizado ao longo de 20 anos com 5 mil participantes na Dinamarca associou o consumo de uma ou duas doses diárias a um risco três vezes maior de câncer de mama. Com duas ou mais doses por dia, o aumento indicado foi de cinco vezes.

Conhecer essas relações permite que cada mulher converse com um profissional de saúde sobre seus hábitos e faça escolhas mais conscientes, especialmente quando há histórico familiar ou outros fatores de risco.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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