Escovação no autismo: guia ajuda famílias e cuidadores
Cartilha gratuita da UFPR e do Instituto Buko Kaesemodel reúne estratégias para tornar a higiene bucal mais previsível e inclusiva
Para muitas crianças com autismo sindrômico ou Síndrome do X Frágil, escovar os dentes vai além de uma simples rotina. O sabor do creme dental, a textura da escova, a luz do banheiro ou o toque na boca podem causar rejeição, ansiedade e até crises. Pensando nisso, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Instituto Buko Kaesemodel lançaram a cartilha Saúde Bucal no Autismo e Síndrome do X Frágil – Um Guia para Pais e Cuidadores, que está disponível gratuitamente.
O material reúne orientações práticas para ajudar a reduzir o estresse durante a escovação, adaptar os cuidados às necessidades sensoriais e comportamentais de cada criança e preparar os pequenos para as consultas odontológicas. A iniciativa também busca promover uma Odontologia mais inclusiva, aproximando o conhecimento científico da realidade vivida pelas famílias.
Desafios na escovação
As dificuldades enfrentadas não se limitam à resistência em escovar os dentes. Pessoas com deficiência intelectual podem apresentar hipersensibilidade ao toque, seletividade alimentar, alterações motoras e dificuldades de comunicação, o que dificulta identificar dores ou desconfortos bucais. Quando esses problemas não são tratados, podem afetar a alimentação, o sono, o comportamento e a qualidade de vida da criança e de seus cuidadores.
Por isso, a cartilha enfatiza que não existe uma única forma correta de realizar a higiene bucal, defendendo estratégias individualizadas para cada caso.
Estratégias para tornar a escovação mais previsível
Entre as recomendações estão:
- uso de rotinas visuais para mostrar o passo a passo da escovação;
- histórias sociais para explicar o que vai acontecer;
- utilização de cronômetros e reforço positivo;
- adaptação da escova e outros elementos do cuidado;
- preparação gradual para a consulta odontológica.
O objetivo é aumentar a previsibilidade das atividades, reduzindo a ansiedade tanto em casa quanto no consultório. Luz María Romero, gestora do Instituto Buko Kaesemodel, destaca que “a cartilha foi construída justamente para transformar conhecimento científico em orientações práticas, capazes de tornar esse cuidado mais leve e possível no dia a dia”.
Orientação para profissionais
Além de apoiar as famílias, a publicação ressalta a importância de preparar dentistas para atender pessoas com deficiência. O presidente do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), Prof. Dr. Aguinaldo Farias, afirma que “não basta orientar que a criança precisa escovar os dentes. É preciso ajudar cada família a descobrir como tornar esse cuidado possível dentro da sua realidade”.
Desenvolvida pela UFPR sob orientação da Dra. Yasmine Pupo, em parceria com o Instituto Buko Kaesemodel, a cartilha integra o projeto de extensão Saúde Bucal Inclusiva e o Programa Eu Digo X, que visa ampliar o acesso ao diagnóstico, à assistência e à produção de conhecimento sobre a Síndrome do X Frágil. O material está disponível gratuitamente no site do projeto Eu Digo X.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



