Salário não basta: por que profissionais estão mudando de emprego
Levantamentos mostram alta na troca voluntária de trabalho e apontam liderança, crescimento e equilíbrio como fatores decisivos para ficar.
Trocar de emprego deixou de ser uma decisão excepcional para uma parcela significativa dos profissionais brasileiros. Um levantamento da LCA Consultores, elaborado com base nos dados do Novo Caged, indica que 36% dos trabalhadores com carteira assinada mudaram voluntariamente de empresa nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2025. O índice equivale a 8,8 milhões de pessoas e foi o maior da série histórica iniciada em 2004.
Entre os profissionais de até 29 anos, o movimento foi ainda mais intenso: 40% trocaram de emprego no mesmo período. Em fevereiro de 2020, eram 26%. O cenário mostra que, para muitas pessoas, permanecer em uma empresa depende de mais do que um bom salário ou benefícios.
O que faz alguém decidir ficar?
Perspectivas de crescimento, aprendizado contínuo, clareza sobre o futuro e uma liderança preparada aparecem como elementos importantes nessa escolha. Para o empresário e investidor Paulo Motta, a mudança revela uma transformação na relação com o trabalho.
“Durante muito tempo, estabilidade e remuneração eram suficientes para sustentar uma relação profissional. Hoje, as pessoas também querem perspectivas de crescimento, desenvolvimento e clareza sobre o futuro que podem construir dentro da empresa. Quando não encontram isso, mudar de emprego passa a ser uma decisão de carreira”, afirma.
A edição de 2026 de uma pesquisa global da Deloitte com mais de 22,5 mil profissionais das gerações Z e millennial, em 44 países, reforça essa tendência. Apenas 25% da geração Z e 21% dos millennials disseram preferir uma trajetória marcada por promoções rápidas.
A maioria valoriza uma evolução mais gradual. Parte dos entrevistados também afirmou aceitar movimentos laterais ou até uma posição inferior quando identifica melhores possibilidades no longo prazo. Na prática, isso significa que o crescimento profissional não é medido apenas pelo nome do cargo ou pela velocidade da promoção.
Liderança e saúde mental entram na conta
A relação com gestores também influencia a permanência. Metade dos profissionais da geração Z ouvidos pela Deloitte apontou estresse e esgotamento como obstáculos para assumir cargos de comando. Responsabilidade excessiva e prejuízos ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho aparecem entre as principais preocupações.
Segundo Motta, promover bons profissionais sem prepará-los para liderar pode aumentar a rotatividade. “Excelentes profissionais são promovidos para cargos de gestão sem receber formação para conduzir equipes. Quando a liderança falha, o problema não se limita ao ambiente interno. Ele afeta produtividade, continuidade e capacidade de execução”, diz.
Aprender também faz parte do trabalho
A perda frequente de funcionários ainda ameaça o conhecimento acumulado nas empresas. Na pesquisa da Deloitte, somente 54% dos entrevistados da geração Z e 60% dos millennials acreditam que suas equipes manteriam o desempenho se um profissional-chave deixasse a organização.
Para Diego Amorim dos Santos, diretor executivo com atuação no desenvolvimento de negócios digitais, capacitação contínua passou a integrar a experiência profissional. “Aprender deixou de ser algo complementar. Quando a empresa oferece novos desafios, compartilha conhecimento e demonstra interesse pelo crescimento do profissional, fortalece o vínculo com a equipe”, afirma.
Por isso, programas de desenvolvimento precisam estar ligados à rotina, ao feedback e a oportunidades concretas. O salário continua influenciando a entrada e a permanência, mas os dados indicam que ele não compensa indefinidamente uma liderança despreparada ou a falta de perspectivas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



