Idosos ampliam uso do celular e internet, mas equilíbrio é essencial
Pesquisa revela crescimento no acesso digital entre maiores de 60 anos e destaca cuidados com saúde mental
O uso do celular entre idosos no Brasil tem crescido significativamente. Segundo levantamento da Nielsen, adultos com mais de 65 anos passam em média 22 horas por semana utilizando smartphones, um tempo que se aproxima e até supera o de gerações mais jovens em alguns aspectos do consumo digital.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua TIC 2025), divulgados pelo IBGE, indicam que a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais que acessaram a internet subiu de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025. Além disso, a posse de celulares para uso pessoal nessa faixa etária aumentou de 78,3% para 80,3%, o maior crescimento entre todas as faixas etárias.
Benefícios da inclusão digital para idosos
O smartphone deixou de ser apenas um meio para ligações, tornando-se ferramenta para videochamadas, acesso a serviços bancários, agendamento de consultas, compras online e busca por informações de saúde. A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, destaca que “aprender a lidar com recursos digitais é uma habilidade que pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida, desde que haja incentivo, paciência e oportunidades para praticar”.
Ela ressalta a importância do apoio familiar, que deve respeitar o ritmo de aprendizagem e valorizar cada conquista. Adaptar os dispositivos com letras maiores, recursos de acessibilidade e configurações simplificadas torna a experiência mais confortável e segura. Além disso, manter um diálogo sobre segurança digital ajuda os idosos a reconhecer tentativas de golpe e proteger seus dados.
Entre os benefícios do uso da tecnologia estão o aumento do contato com familiares e amigos, redução do isolamento social, estímulo cognitivo por meio de leitura, jogos e cursos online, acesso facilitado a serviços de saúde, incluindo telemedicina, maior autonomia para resolver questões financeiras e participação em atividades culturais e educacionais.
Cuidados com o uso excessivo
Apesar dos benefícios, o uso excessivo ou inadequado das telas pode prejudicar o bem-estar psicológico, o sono e a cognição dos idosos. Um estudo publicado em 2026 na revista PLOS Global Public Health, com mais de 13,5 mil canadenses com 55 anos ou mais, associou o uso frequente de redes sociais a uma pior percepção da saúde mental, enquanto o uso de e-mail esteve relacionado a avaliações mais positivas.
A psiquiatra e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra. Carla Caroline Vieira, alerta que o excesso de telas pode mascarar quadros de solidão, ansiedade ou depressão. Ela destaca sinais de alerta como esquecimento de medicamentos e refeições, abandono do autocuidado, isolamento social, irritabilidade, mudanças de humor, alterações no sono, fadiga, dores cervicais e cansaço ocular.
Recomendações para uma relação saudável com a tecnologia
- Adaptar o celular às necessidades do idoso, com letras maiores e recursos de acessibilidade;
- Manter conversas sobre segurança digital, golpes e proteção de dados pessoais;
- Garantir que o uso das telas não substitua atividades físicas, leitura, hobbies e convivência presencial;
- Observar mudanças comportamentais e buscar orientação profissional quando necessário.
Assim, a inclusão digital para idosos vai além do uso técnico dos dispositivos, envolvendo segurança, autonomia e participação social equilibrada, essenciais para a saúde e qualidade de vida.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



