Por que 3 em cada 4 brasileiros não têm plano de saúde

Mensalidades altas, renda limitada e dependência do emprego formal explicam a baixa cobertura da saúde suplementar no Brasil.

Ter um plano de saúde ainda é um desafio para a maioria dos brasileiros. Dados de maio de 2026 indicam que 53,1 milhões de pessoas estavam vinculadas a planos médico-hospitalares, o que representa uma cobertura de apenas 25% da população. Na prática, isso significa que três em cada quatro brasileiros permanecem sem acesso à saúde suplementar.

Essa distância entre a população e a cobertura não decorre necessariamente da falta de interesse. Uma pesquisa realizada em 2025 pelo Vox Populi para o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), com 3.200 entrevistados em oito regiões metropolitanas, apontou que 61% dos não beneficiários gostariam de ter um plano de saúde.

Mensalidades e renda familiar limitam o acesso

Entre os que não possuem plano, 53% consideram o preço muito alto e 49% afirmam não ter condições financeiras para arcar com as mensalidades. Outros 17% priorizam outras despesas, enquanto 12% utilizam o atendimento gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O rendimento domiciliar mensal per capita, segundo o IBGE em 2025, foi de R$ 2.316, com variações significativas entre estados: R$ 1.219 no Maranhão e R$ 4.538 no Distrito Federal. Essa desigualdade econômica reflete-se também na cobertura dos planos, que é superior a 30% em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas inferior a 10% em várias regiões do Norte do país, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de maio de 2026.

Emprego formal é a principal porta de entrada

Outro fator que limita o acesso é a forte dependência dos planos coletivos empresariais. Em março de 2026, 38,7 milhões de beneficiários estavam vinculados a contratos coletivos empresariais, representando cerca de 73% do mercado. Já os planos individuais ou familiares somavam 8,5 milhões de pessoas, cerca de 16% do total.

Para trabalhadores autônomos, informais, desempregados ou empregados de pequenas empresas sem benefício, a contratação do plano depende diretamente da renda familiar. Entre os entrevistados que já tiveram plano e perderam a cobertura, 32% atribuíram a perda à saída da empresa, enquanto 28% apontaram dificuldades financeiras para manter as mensalidades.

Adriana Mello, CEO da Click Planos, destaca que “a ausência de plano no Brasil não decorre apenas de falta de interesse. A mensalidade disputa espaço com aluguel, alimentação, transporte e educação, enquanto grande parte do acesso à saúde suplementar ainda depende do benefício oferecido pelo empregador. Fora desse vínculo, o consumidor precisa assumir sozinho o custo e também compreender um mercado com muitas diferenças de rede, carência, abrangência e coparticipação”.

Escolha do plano vai além do preço

Ao considerar a contratação de um plano, é fundamental avaliar não apenas o valor da mensalidade, mas também a rede de hospitais e clínicas credenciadas, a abrangência geográfica, as carências, a coparticipação, as regras para dependentes e os reajustes por faixa etária.

A ANS oferece um guia público para comparação de planos, ferramenta que pode auxiliar consumidores a entender melhor as opções disponíveis e evitar escolhas baseadas apenas no preço, que podem resultar em cobertura inadequada para suas necessidades e região.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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