Febre maculosa: SP confirma 18 mortes em 2026
Estado registrou 19 casos confirmados; pesquisas sobre a doença estão paralisadas
O estado de São Paulo confirmou 18 mortes por febre maculosa em 2026, com 19 casos registrados até o momento, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES). A letalidade da doença ultrapassa 90%, um índice alarmante que reforça a necessidade de atenção à vigilância e pesquisa sobre a enfermidade.
Entre as vítimas, estão três crianças: duas residentes em Araras e uma em Leme. Em 2025, o estado registrou 44 mortes e 61 casos confirmados da doença, conforme informações divulgadas pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC).
Desarticulação das pesquisas científicas
A APqC destaca que a principal estrutura de pesquisa sobre febre maculosa foi desmantelada após a extinção da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) em 2020. A desarticulação se consolidou em 2022, quando mais de 800 servidores foram redistribuídos para diferentes órgãos.
Os pesquisadores foram realocados no Instituto Pasteur, porém os laboratórios da antiga Sucen não foram formalmente incorporados à estrutura administrativa da instituição. Essa situação criou um vazio jurídico que dificulta contratações, manutenção de equipamentos, aquisição de insumos e a continuidade das pesquisas.
O único laboratório do estado dedicado à pesquisa da febre maculosa, localizado em Mogi Guaçu, interrompeu suas atividades em 2020. As baias que recebiam capivaras para estudo estão atualmente desativadas.
Risco de contaminação e monitoramento dos vetores
Em um dos casos confirmados, em São Bernardo do Campo, a vigilância epidemiológica local encontrou carrapatos contaminados pela bactéria transmissora da febre maculosa nos cães da família da vítima. Embora não existam dados científicos específicos que comprovem a origem da contaminação, suspeita-se que os animais tenham sido infectados em áreas próximas com remanescentes de Mata Atlântica.
Esse cenário evidencia a importância do monitoramento constante dos carrapatos, dos animais reservatórios e dos ambientes naturais para prevenir a disseminação da doença.
Entraves administrativos e necessidade de reestruturação
Segundo a APqC, o laboratório perdeu o Cadastro de Instituições de Uso Científico de Animais (CIUCA), vinculado ao Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), o que tornou irregulares as atividades que envolvem experimentação animal. Além disso, a unidade foi autuada por falta de registro junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV).
Além da febre maculosa, o laboratório realizava estudos sobre outras doenças, como a doença de Chagas e o risco de acidentes por escorpiões. A APqC apresentou ao Governo do Estado uma proposta para reestruturar o Instituto Pasteur e incorporar a antiga estrutura da Sucen, mas até o momento essa medida não foi implementada.
A associação reforça que a retomada de uma estrutura pública permanente é fundamental para acompanhar os vetores e reservatórios, antecipar riscos e apoiar as políticas públicas de vigilância epidemiológica, especialmente diante do avanço da febre maculosa e do aumento das vítimas, incluindo crianças.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



