Ansiedade lidera notificações de transtornos mentais no Paraná

Entre 2022 e início de 2026, Paraná registrou 1.046 casos relacionados ao trabalho

Entre 2022 e os primeiros meses de 2026, o Paraná registrou 1.046 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho, segundo dados do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest). Desses casos, 235 resultaram em afastamento das atividades profissionais, o que representa cerca de 22% do total.

Os transtornos de pânico ou ansiedade paroxística episódica foram os mais notificados, com 217 ocorrências. Em seguida, aparecem outros transtornos ansiosos, com 147 casos, e a ansiedade generalizada, com 118 registros. A Síndrome de Burnout, frequentemente associada à saúde mental no trabalho, ocupou a nona posição, com 20 notificações oficiais.

Burnout é apenas uma das manifestações

O Cest destaca que a Síndrome de Burnout é apenas uma das formas de manifestação dos transtornos relacionados ao trabalho e que os números podem representar apenas uma fração da realidade devido à subnotificação. A psicóloga e coordenadora técnica do Cest, Aline Pinto Guedes, ressalta a importância de uma escuta integrada no atendimento: “É fundamental que a escuta considere não apenas os sintomas, mas também as condições, a organização e as relações de trabalho. Essa escuta permite identificar de que forma o trabalho pode estar desencadeando, contribuindo para ou agravando o sofrimento e o adoecimento. A notificação deve contribuir para o cuidado integral e também para ações de vigilância e prevenção.”

Rede de atendimento do SUS no Paraná

O Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná conta com uma ampla rede para acolher trabalhadores com transtornos mentais. A Linha de Cuidado em Saúde Mental do Estado é composta por diversos equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), garantindo atendimento integral. A estrutura inclui 160 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em diferentes modalidades, 45 ambulatórios, 73 leitos de saúde mental em hospitais gerais e 1.651 leitos em hospitais especializados em psiquiatria. Além disso, a rede oferece 14 serviços residenciais terapêuticos, seis Unidades de Acolhimento e sete Serviços Integrados de Saúde Mental, que combinam atendimento de CAPS AD III com unidades de acolhimento regional.

A porta de entrada para o cuidado pode ser a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Estratégia Saúde da Família. Em casos de urgência ou emergência, o trabalhador pode buscar atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), prontos-socorros ou acionar o SAMU, com garantia de continuidade do tratamento no território de origem.

Compromisso com a saúde do trabalhador

O secretário de Estado da Saúde, Cesar Neves, reforça a importância da identificação precoce dos transtornos mentais no ambiente de trabalho: “O ambiente de trabalho não pode ser um fator de adoecimento e estamos trabalhando para capacitar nossas equipes a identificar precocemente esses agravos. A notificação adequada dos casos nos permite entender a real dimensão do problema e direcionar os esforços do Estado para proteger quem produz e movimenta a nossa economia.”

O acompanhamento da saúde mental no trabalho é realizado pelo Cest, que coordena a Política de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no Estado, promovendo ações de educação permanente e apoio técnico para fortalecer a articulação entre a Atenção Primária e a Rede de Atenção Psicossocial.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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