Lenacapavir: prevenção do HIV ainda não chega a todos
Nova tecnologia promete prevenir quase 100% das infecções, mas preço e regras de distribuição limitam o acesso no Brasil e no mundo
O lenacapavir surge como uma inovação promissora na prevenção do HIV, sendo um medicamento injetável administrado apenas duas vezes ao ano e com eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção pelo vírus. No entanto, o acesso a essa tecnologia ainda é restrito para grande parte da população que poderia se beneficiar dela, devido a barreiras como o alto custo, controle de patentes e modelos de distribuição limitados.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024 foram registrados 39.216 novos casos de HIV no Brasil, número próximo ao de 2023, que teve 38.222 casos. Apesar dessa aparente estabilidade, a epidemia continua afetando desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, especialmente as pessoas pretas e pardas. Em 2014, pessoas brancas representavam 49% das notificações de HIV, mas em 2024 essa proporção caiu para 36,8%, enquanto pessoas pretas e pardas passaram a representar 59,7% dos casos.
Desigualdades regionais e raciais na epidemia
Além das disparidades raciais, a Região Norte do Brasil apresenta um aumento na taxa de detecção de aids, que cresceu 9,2% entre 2014 e 2021, enquanto nas demais regiões houve estabilidade ou queda. Em 2024, os estados com as maiores taxas de detecção da doença foram Roraima (41,3 casos por 100 mil habitantes), Amazonas (35,2), Amapá (28,4) e Pará (27,4).
Barreiras ao acesso ao lenacapavir
O lenacapavir é produzido pela farmacêutica Gilead, que detém o controle sobre quem pode receber o medicamento, onde ele está disponível e sob quais condições. Nos Estados Unidos, o preço anual por paciente é de US$ 28.000, embora o custo estimado de produção seja inferior a US$ 40. Versões genéricas mais acessíveis estão previstas para chegar ao mercado no próximo ano, mas a produção será limitada a fabricantes selecionados e a venda restrita a determinados países. Brasil, Argentina, México e Peru, onde foram realizados ensaios clínicos do medicamento, não foram incluídos nesse acordo de distribuição.
Antonio Flores, infectologista de Médicos Sem Fronteiras (MSF), destaca que a epidemia continua avançando sobre populações que enfrentam maiores barreiras ao acesso a serviços de saúde e inovações médicas. “Sem acesso, inovação não salva vidas”, afirma.
Discussão sobre acesso na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS
A ampliação do acesso a tecnologias inovadoras de prevenção ao HIV será tema central na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro. No dia 30 de julho, das 12h às 13h, ocorrerá a mesa “Onde está meu lenacapavir? Como quebrar monopólios e acabar com a epidemia de HIV?”, que contará com a participação de especialistas e representantes de organizações ligadas ao tema.
O debate reforça que o desafio não está apenas no desenvolvimento de medicamentos eficazes, mas também em garantir que essas tecnologias cheguem às populações mais vulneráveis e aos países mais afetados pela epidemia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



