Albinismo: ação leva prevenção do câncer da pele a indígenas no RS
Projeto da Sociedade Brasileira de Dermatologia ofereceu consultas, cirurgias e orientações a indígenas Kaingang na Terra Indígena Guarita
Nos dias 16 e 17 de julho, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apoiou uma ação de assistência dermatológica na Terra Indígena Guarita, localizada no norte do Rio Grande do Sul. A iniciativa atendeu a população indígena Kaingang, que apresenta uma alta incidência de albinismo, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de pele.
Essa ação integrou oficialmente as atividades do Dia Mundial da Saúde da Pele, promovido pela Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas (ILDS), e contou com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Hospital Santo Antônio, de Tenente Portela, e do Polo Base Guarita.
Consultas, cirurgias e biópsias
Durante os dois dias de atendimento, foram realizadas consultas dermatológicas, cirurgias e biópsias. Além de tumores cutâneos, a equipe identificou casos de dermatite atópica, acne, escabiose e psoríase, ampliando o cuidado para diversas condições dermatológicas.
A Terra Indígena Guarita despertou interesse científico após o Departamento de Genética da UFRGS identificar uma incidência de albinismo superior à média da população geral. Com base nessa constatação, foi criado um projeto de acompanhamento dermatológico, que neste ano foi fortalecido com a participação da SBD.
Os procedimentos cirúrgicos foram realizados no Hospital Santo Antônio, garantindo a continuidade do cuidado aos pacientes, conforme destacou o coordenador local da iniciativa, Dr. Renan Bonamigo, dermatologista da SBD e professor da UFRGS.
Educação e fotoproteção
O albinismo aumenta a vulnerabilidade à radiação ultravioleta, tornando a fotoproteção essencial. A equipe reforçou orientações para toda a população, especialmente para os períodos de maior intensidade solar, entre 9h e 15h. As recomendações incluem:
- Evitar exposição direta ao sol nos horários de maior radiação;
- Usar roupas com proteção solar, chapéu de aba larga e óculos escuros;
- Aplicar e reaplicar corretamente o protetor solar.
Além da assistência médica, o projeto promoveu educação e extensão universitária, envolvendo residentes de medicina e estudantes indígenas da área da saúde. Essa integração fortalece a formação de novos profissionais e a troca de conhecimentos com a comunidade.
Impacto na comunidade
Pacientes beneficiados pela ação destacam a importância do acesso à informação e ao cuidado. Lucia, que tem albinismo, tem três filhos, dois deles também com a condição. Claudemir, de 18 anos, passou por cirurgia para retirada de câncer de pele há menos de um ano e retornou para acompanhamento. Ele relata que mudou seus hábitos para evitar o sol, usando chapéu e protetor solar.
O irmão mais novo, Maicon, de 11 anos, também segue as orientações, usando boné e evitando exposição solar direta. Essas mudanças refletem como a prevenção pode ser incorporada à rotina, reduzindo riscos e favorecendo a detecção precoce de problemas dermatológicos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



