Vape entre jovens acende alerta para câncer de boca
Estudos associam uso do cigarro eletrônico a alterações celulares; sinais persistentes na boca exigem atenção médica
O cigarro eletrônico, popularmente conhecido como vape, tem sido apontado como uma alternativa menos nociva ao cigarro tradicional, mas estudos recentes indicam que seu uso pode causar alterações celulares e genéticas na mucosa da boca. Essas mudanças, embora ainda não se manifestem clinicamente, podem favorecer o desenvolvimento de câncer de boca ao longo do tempo.
Este alerta ganha relevância durante o Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 15,1 mil novos casos de câncer de boca por ano no triênio 2023-2025.
Preocupação com o uso entre jovens
Mais do que o número atual de usuários, o perfil dos consumidores de vape chama atenção: adolescentes e jovens adultos, que podem permanecer expostos aos efeitos nocivos por décadas. Dados do Inca, baseados no Vigitel 2024 do Ministério da Saúde, mostram que 2,6% dos adultos brasileiros usam cigarros eletrônicos, o maior índice desde 2019. Entre jovens de 18 a 24 anos, 10,1% utilizam o dispositivo, e 24,8% já o experimentaram.
Apesar da proibição da comercialização do vape no Brasil desde 2009, mantida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2024, esses dispositivos continuam circulando por canais informais e redes sociais. Aromatizantes adocicados e a ausência do cheiro característico do tabaco contribuem para a falsa percepção de segurança.
Riscos comprovados do vape
Uma revisão de 22 estudos publicada em 2023 na revista Drug Testing and Analysis reuniu evidências de que o vapor do cigarro eletrônico causa danos ao DNA das células bucais. O contato repetido com o aerossol provoca processos inflamatórios, estresse oxidativo, redução da imunidade local e exposição a compostos potencialmente cancerígenos presentes na saliva de usuários.
Além da nicotina, os dispositivos contêm substâncias como propilenoglicol, glicerina e aromatizantes que, quando aquecidas, podem formar compostos tóxicos, incluindo metais pesados como níquel, chumbo e cromo, reconhecidos por seus efeitos nocivos à saúde.
A cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital São Marcelino Champagnat, Ana Gabriela Neis, destaca que “dizer que o cigarro eletrônico é uma alternativa segura em relação ao cigarro convencional é uma falácia. Ele contém substâncias potencialmente cancerígenas e pode ter consequências crônicas para a saúde”.
Sintomas que merecem atenção
Independentemente da causa, alguns sinais na boca e garganta não devem ser ignorados, especialmente por quem fuma ou usa vape. Entre eles estão:
- Feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas;
- Dor persistente ao engolir;
- Rouquidão ou mudança na voz por mais de 15 dias;
- Caroços no pescoço;
- Sangramentos sem causa aparente.
O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento e permite abordagens menos invasivas. “Quanto mais cedo identificamos uma lesão suspeita, maiores são as possibilidades de cura e menores as sequelas para o paciente”, orienta Ana Gabriela.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



