Lipedema afeta até 12,3% das mulheres adultas no Brasil

Doença crônica causa dor, hematomas e gordura desproporcional, mas ainda é confundida com obesidade e sofre com diagnóstico tardio

Sentir dor nas pernas, sensibilidade ao toque, hematomas frequentes e notar uma desproporção entre membros inferiores e tronco são sinais comuns do lipedema, uma doença crônica que pode afetar até 12,3% da população feminina adulta no Brasil, conforme estimativa do Consenso Brasileiro de Lipedema.

Apesar de sua prevalência, o diagnóstico do lipedema ainda é frequentemente tardio, pois a condição é muitas vezes confundida com obesidade, celulite, retenção de líquidos ou linfedema — este último relacionado ao acúmulo de líquido nos membros. No lipedema, ocorre um crescimento anormal das células de gordura, principalmente em quadris, coxas e pernas, podendo também atingir os braços.

Desafios no diagnóstico e tratamento

Segundo Fábio Kamamoto, cirurgião plástico e diretor do Instituto Lipedema Brasil, ainda faltam pesquisas e informações científicas consolidadas sobre as causas e os genes envolvidos no lipedema. “Nós ainda não sabemos exatamente quais são as causas do lipedema, quais são os genes envolvidos e como eles impactam a dinâmica das células de gordura. Por isso, não existe um tratamento específico para a causa do lipedema. O que fazemos hoje é o controle da doença, por meio de dieta, exercícios, fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia”, explica.

O especialista destaca também a relação entre genética e hormônios femininos, que ajuda a explicar a maior prevalência da doença entre mulheres. Fases de mudanças hormonais, como puberdade, gestação e menopausa, podem favorecer o desenvolvimento ou agravamento do quadro.

Impactos na vida cotidiana

A experiência de Renata Frasson ilustra os desafios enfrentados por quem convive com o lipedema. Ela percebeu sinais da doença desde a adolescência, mas só recebeu o diagnóstico oficial em 2024. Em 2025, descobriu que a condição havia evoluído para lipolinfedema, quando o sistema linfático também é afetado.

“Foi bem complicado e difícil. Só de vasculares, passei por cerca de 14 profissionais que, infelizmente, não tinham conhecimento sobre o quadro. Eram bons médicos, mas tratavam como obesidade”, relata Renata.

Após um tratamento que incluiu atividade física, dieta, medicamentos, fisioterapia, uso de faixas compressivas, botas pneumáticas e drenagem linfática, ela passou por cirurgia para remoção do tecido afetado e do excesso de pele na coxa. “Hoje, tenho uma nova vida, um novo movimento e um novo caminhar”, afirma.

Discussão sobre lipedema no Estetika 2026

O lipedema será tema da palestra “Lipedema na prática: ciência, tratamento e cuidado real”, que ocorrerá no dia 2 de agosto, às 15h, durante o 32º Congresso Internacional de Estética, parte do Estetika 2026, realizado de 31 de julho a 2 de agosto no São Paulo Expo.

A mesa-redonda reunirá o cirurgião Fábio Kamamoto, a fisioterapeuta Jaqueline Baiocchi e a paciente Renata Frasson, com mediação da fisioterapeuta Ana Martha. O objetivo é integrar a visão médica, a abordagem funcional e a experiência real de quem convive com a doença.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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