IA pode dificultar contratação de mulheres, alerta análise

Estudos citados pela Hogan Assessments apontam vieses em sistemas de seleção e indicam como empresas podem reduzir barreiras.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada para agilizar e tornar mais objetivas as etapas iniciais dos processos seletivos. No entanto, uma análise da consultoria global Hogan Assessments alerta que essas ferramentas podem inadvertidamente criar barreiras para mulheres, reproduzindo vieses históricos presentes nos dados usados para treinar os algoritmos.

Esses sistemas automatizados, que auxiliam na triagem de currículos e na classificação de candidatos, podem refletir padrões de contratação anteriores que favoreceram homens, limitando as oportunidades para mulheres em diferentes fases da carreira.

Estudos revelam vieses de gênero em sistemas de IA

Um estudo do Berkeley Haas Center for Equity, Gender and Leadership identificou que 44% dos sistemas de inteligência artificial analisados apresentavam algum tipo de viés de gênero. Entre os aspectos penalizados estão interrupções na carreira, trajetórias profissionais não lineares e habilidades transferíveis, que afetam desproporcionalmente as mulheres, frequentemente responsáveis por cuidados familiares e que podem ter pausas ou mudanças em suas trajetórias profissionais.

Além disso, pesquisa divulgada pelo Stanford Report indicou que currículos gerados por IA para candidatas mulheres tendem a retratá-las como mais jovens e menos experientes do que candidatos homens com perfis equivalentes, evidenciando um viés na representação dos perfis femininos.

Como os vieses se manifestam na prática

  • Interrupções na carreira: pausas no trabalho, muitas vezes relacionadas a responsabilidades familiares, podem ser interpretadas pelos sistemas como falta de comprometimento ou produtividade.
  • Trajetórias não lineares: mudanças de área ou retornos ao mercado de trabalho podem ser desvalorizados por modelos que priorizam progressões contínuas e tradicionais.
  • Familiaridade com IA: menor exposição das mulheres a tecnologias de inteligência artificial ao longo da formação e carreira pode resultar em desvantagens quando essas competências são valorizadas nos processos seletivos.

Segundo a Hogan Assessments, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada. A consultoria destaca que a inteligência artificial deve ser usada para apoiar, e não substituir, o julgamento humano nas decisões de contratação.

Recomendações para reduzir vieses

A consultoria recomenda que as organizações revisem regularmente as ferramentas automatizadas para identificar possíveis vieses e mantenham supervisão humana nas etapas iniciais da seleção. Além disso, sugere avaliar candidatos considerando indicadores mais amplos de potencial, incluindo características de personalidade e competências relevantes para a função, evitando que pausas na carreira ou mudanças de trajetória eliminem profissionais qualificadas.

Allison Howell, CEO da Hogan Assessments, afirma: “A inteligência artificial tem potencial para melhorar decisões de contratação, mas apenas quando utilizada de forma responsável. Quando as organizações eliminam completamente o julgamento humano do processo, correm o risco de ampliar vieses existentes em vez de eliminá-los.” Ela conclui que “o futuro do recrutamento não está em substituir pessoas por algoritmos, mas em combinar dados e julgamento humano para tomar decisões mais justas, precisas e inclusivas.”

Sem intervenções deliberadas, a rápida adoção da inteligência artificial nos processos de contratação pode criar novos obstáculos para a equidade de gênero, justamente em um momento em que empresas buscam construir ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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