HPV e sexo oral: por que a vacina importa

Casos de tumores na orofaringe ligados ao HPV reforçam a importância da vacinação e da atenção a sintomas persistentes.

O câncer de cabeça e pescoço tem apresentado mudanças em seu perfil epidemiológico. Tradicionalmente associado ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, esse tipo de câncer agora registra um aumento significativo de casos relacionados ao Papilomavírus Humano (HPV), especialmente em tumores da orofaringe, que inclui estruturas como as amígdalas e a base da língua.

O HPV é transmitido por contato íntimo, inclusive durante o sexo oral. Embora o ato em si não cause câncer, a infecção persistente por determinados tipos do vírus pode levar a alterações celulares que, ao longo do tempo, favorecem o desenvolvimento de tumores.

Transformações no perfil dos pacientes

Durante décadas, o câncer de cabeça e pescoço foi mais comum em homens acima dos 60 anos, fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas. Embora esses fatores ainda sejam relevantes, observa-se um aumento dos casos associados ao HPV, inclusive em pessoas que nunca fumaram.

Segundo a Estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 17,2 mil novos casos de câncer da cavidade oral por ano, com aproximadamente 12,3 mil entre homens e 4,9 mil entre mulheres. Esses números abrangem todos os tipos de câncer da cavidade oral, não apenas os relacionados ao HPV, mas indicam a magnitude do problema.

A oncologista clínica Débora Curi, do Grupo SOnHe, destaca: “Ainda atendemos muitos pacientes cujo câncer está relacionado ao cigarro e ao álcool, mas percebemos um aumento dos tumores associados ao HPV, inclusive em pessoas que nunca fumaram.”

Vacinação como estratégia preventiva

Embora o HPV seja mais conhecido por sua relação com o câncer do colo do útero, ele também está associado a tumores de orofaringe, ânus, pênis, vulva e vagina. Por isso, a vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias para prevenir esses tipos de câncer.

No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única, conforme o Programa Nacional de Imunizações. Pessoas imunossuprimidas e outros grupos específicos podem seguir recomendações diferenciadas. Adolescentes e adultos que não foram vacinados na faixa etária indicada podem avaliar a imunização com um profissional de saúde.

A vacina não trata infecções já existentes, mas protege contra tipos de HPV aos quais o indivíduo ainda não foi exposto. Débora Curi reforça: “Vacinar meninos e meninas é uma forma de reduzir a circulação do vírus e proteger as próximas gerações.”

Sintomas que merecem atenção

Especialistas recomendam que sintomas persistentes por mais de duas semanas sejam avaliados por um profissional de saúde. Entre os sinais de alerta estão:

  • Ferida na boca que não cicatriza;
  • Rouquidão persistente;
  • Dor ou dificuldade para engolir;
  • Dor de garganta contínua;
  • Sangramento na boca ou garganta;
  • Sensação de algo preso ao engolir.

O oncologista clínico David Pinheiro Cunha, também do Grupo SOnHe, destaca que “a vacinação, associada ao acompanhamento médico e à atenção aos sinais de alerta, representa uma oportunidade concreta de reduzir o impacto desses tumores no futuro.”

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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