Etarismo: como o preconceito afeta a saúde mental dos idosos

No Dia dos Avós, especialistas alertam que atitudes discriminatórias podem favorecer isolamento, atrasar diagnósticos e reduzir a autonomia

O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, é uma oportunidade para refletir sobre o preconceito que muitas pessoas idosas enfrentam diariamente, conhecido como etarismo ou idadismo. Esse tipo de discriminação se manifesta por meio de estereótipos e atitudes negativas relacionadas à idade, presentes em ambientes de trabalho, serviços de saúde, relações familiares e interações cotidianas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 6,3 milhões de casos de depressão no mundo podem ser atribuídos ao preconceito relacionado à idade. Além disso, o idadismo está associado a um aumento do risco de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, declínio cognitivo e piora da qualidade de vida.

Quando o cuidado diminui a autonomia

Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que as mensagens recebidas ao longo da vida influenciam a forma como a pessoa idosa percebe a si mesma. “Quando alguém escuta repetidamente que está ‘velho demais’, que não consegue mais aprender ou que já não é útil, essas ideias podem ser incorporadas como verdades”, afirma.

A especialista destaca que o idadismo também ocorre de forma sutil, como interromper o idoso antes que conclua uma ideia, responder por ele, infantilizar sua fala ou presumir que não conseguirá aprender novas habilidades. Mesmo quando motivadas pela intenção de cuidar, essas atitudes podem transmitir a mensagem de que a opinião do idoso não importa, comprometendo sua autonomia e senso de pertencimento.

Preconceito pode atrasar diagnósticos e afetar a saúde física

Karoline Fiorotti, professora de pós-graduação em Geriatria da Afya Vitória, ressalta que a saúde mental e física estão interligadas durante o envelhecimento. A discriminação pode reduzir a motivação para manter hábitos saudáveis, praticar atividades físicas, participar de grupos sociais e seguir tratamentos médicos.

Ela alerta que sintomas como esquecimento, tristeza constante, sonolência, perda de apetite, perda de peso, fraqueza e indisposição não devem ser automaticamente atribuídos ao envelhecimento e precisam ser investigados. A atribuição equivocada desses sintomas à idade pode atrasar diagnósticos importantes e comprometer o início precoce do tratamento.

Como combater o etarismo na prática

  • Incluir a pessoa idosa nas decisões que dizem respeito à própria vida;
  • Respeitar seu ritmo sem presumir incapacidade;
  • Incentivar a convivência familiar, comunitária e entre gerações;
  • Apoiar o aprendizado de tecnologias, como aplicativos bancários e plataformas de saúde;
  • Valorizar experiências, desejos, projetos e novas habilidades.

Mariana Ramos reforça que envelhecer não significa deixar de aprender, sonhar ou construir novos significados para a vida. Preservar a participação social dos idosos contribui para um envelhecimento mais ativo, independente e emocionalmente equilibrado.

Karoline Fiorotti acrescenta que o convívio entre diferentes gerações beneficia toda a sociedade, e que é responsabilidade coletiva construir ambientes acolhedores, acessíveis e inclusivos, valorizando as capacidades dos idosos e promovendo sua participação ativa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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