Transição elétrica pode evitar 65 mil mortes no Brasil
Estudo do ICCT projeta aumento de mortes por poluição veicular até 2050 e destaca eletrificação como solução
A poluição gerada pelos veículos rodoviários representa um desafio crescente para a saúde pública no Brasil. Segundo um estudo inédito do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), o envelhecimento da população aliado à expansão da frota pode elevar em 47% o número anual de mortes prematuras relacionadas à poluição veicular até 2050, caso não haja uma transição acelerada para veículos de zero emissão.
O relatório Health Benefits of Zero-Emission Transport Through 2050 destaca que, em 2024, o transporte rodoviário foi responsável por cerca de 8 mil mortes prematuras no país, colocando o Brasil na 17ª posição mundial nesse indicador. Além disso, foram registrados 9.200 novos casos de asma em crianças e adolescentes atribuíveis à exposição aos poluentes veiculares, como material particulado fino, dióxido de nitrogênio e ozônio.
Vulnerabilidade crescente da população
O envelhecimento da população torna o organismo mais suscetível aos efeitos nocivos da poluição do ar. “À medida que a população envelhece, ela se torna biologicamente mais suscetível a mortes prematuras causadas pela poluição do ar”, explica Jonathan Benoit, desenvolvedor de modelos do ICCT e coautor do estudo. A combinação do crescimento populacional, do envelhecimento e do aumento do número de veículos, especialmente em regiões com normas menos rigorosas, contribui para o aumento das mortes, mesmo com reduções modestas nas emissões.
Avanços e desafios na eletrificação da frota
O Brasil possui programas históricos de controle de emissões, como as fases P-8 do PROCONVE para veículos pesados e L-8 para leves, alinhadas às melhores práticas internacionais. No segundo trimestre de 2026, veículos leves elétricos representaram 15% das vendas nacionais, sendo 8% modelos 100% elétricos e 7% híbridos plug-in, impulsionados por incentivos estaduais e apoio federal ao financiamento de ônibus elétricos urbanos.
No entanto, a eletrificação do transporte de cargas ainda é incipiente, com veículos pesados de zero emissão representando menos de 0,5% das vendas. O ritmo atual não é suficiente para compensar o crescimento da frota, projetado em cerca de 30% até 2050.
Impactos de uma transição acelerada
O cenário ambicioso do ICCT prevê que o Brasil alcance 61% de vendas de veículos leves elétricos e 54% de veículos pesados de zero emissão até 2035, com 100% em ambas as categorias até 2045. Essa trajetória poderia reduzir em 35% as mortes prematuras anuais até 2050, evitando 65.200 mortes e 18.600 novos casos de asma infantil entre 2024 e 2050.
Além disso, o relatório recomenda medidas complementares de curto prazo, como programas de renovação da frota antiga, criação de Zonas de Baixa Emissão (LEZs) em centros urbanos e fiscalização rigorosa das emissões em condições reais de uso. Testes realizados na Região Metropolitana de São Paulo pela iniciativa TRUE indicaram que veículos frequentemente ultrapassam os limites de emissão estabelecidos pelo PROCONVE, inclusive caminhões novos certificados na fase P8.
Marcel Martin, diretor-geral do ICCT Brasil, ressalta que “o Brasil começa a dar sinais positivos em direção à eletrificação, e iniciativas como o TRUE demonstram o quanto essa tecnologia é necessária”. O estudo reforça que uma eletrificação ambiciosa pode evitar quase 9 milhões de mortes prematuras no mundo até 2050, rompendo a trajetória atual de aumento dos impactos na saúde pública.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



