Curta “Revelação” estreia no Festival de Gramado com humor e diversidade
Comédia acompanha o primeiro dia de trabalho de uma pessoa não-binária em empresa de chá de revelação
O curta-metragem Revelação, dirigido por Gabriela I. Gaia, estreia no dia 20 de agosto no 54º Festival de Cinema de Gramado. Com 17 minutos de duração, a produção acompanha o primeiro dia de trabalho de Cris, uma pessoa não-binária interpretada por Lorre Motta, em uma empresa de chá de revelação de gênero localizada no subúrbio carioca.
Além da exibição em Gramado, o filme também será apresentado no 37º Festival Internacional de Curtas de São Paulo Kinoforum, no mesmo mês. A obra é uma coprodução Brasil-França, pré-licenciada pela France TV, e marca a estreia solo de Gaia na direção.
Humor e crítica social
Em formato de falso documentário, Revelação utiliza o humor para abordar temas como identidade de gênero, representatividade e as pressões sociais presentes nas famílias brasileiras. A trama se passa em uma empresa de chá de revelação, comandada por Adriana (Stella Rabello), que utiliza políticas de diversidade como estratégia de marketing.
O roteiro foi escrito por Gabriela I. Gaia, Lorre Motta e Maíra Athayde, e nasceu a partir de conversas entre Gaia e Motta, que buscavam criar uma comédia que dialogasse com questões de gênero e representatividade, fugindo do drama frequentemente associado a personagens transmasculinos. Gaia destaca que o chá de revelação, apesar de ser um ritual popular, reforça padrões heterocisgêneros e exerce pressão sobre pessoas dissidentes, o que motivou a abordagem humorística do tema.
Referências e linguagem acessível
Inspirado nas comédias de televisão dos anos 2000, o curta busca dialogar com um público amplo, especialmente aqueles que cresceram assistindo à TV aberta e que nem sempre frequentam festivais de cinema. Gaia define Revelação como uma “comédia decolonial”, que investiga as tensões de gênero e raça presentes nas famílias brasileiras sem abrir mão do humor.
Produção e equipe
O filme foi gravado no Méier, bairro da zona norte do Rio de Janeiro onde a diretora passou parte da infância. A equipe de produção é majoritariamente composta por pessoas do subúrbio, racializadas e LGBTQIAPN+, refletindo o compromisso da cineasta em construir um ambiente de trabalho seguro e representativo.
Revelação integra a “trilogia do encontro” de Gaia, iniciada com Afeto (2019) e seguida por Escasso (2022), obras que exploram temas como gênero, identidade e pertencimento a partir de perspectivas decoloniais.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



