Curitiba avança na caminhabilidade com projetos que priorizam o pedestre
Novos empreendimentos incorporam fachadas ativas e espaços públicos para incentivar deslocamentos a pé e a vida ao ar livre
Imagine poder realizar tarefas do dia a dia, como fazer compras e acessar serviços, sem precisar usar o carro. Essa é a proposta da chamada “cidade de 15 minutos”, conceito que tem influenciado o planejamento urbano e os projetos imobiliários em Curitiba.
Conhecida por seu planejamento urbano inovador, a capital paranaense aposta na “priorização do pedestre”, ideia desenvolvida pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner desde a década de 1980. Atualmente, incorporadoras também adotam essa visão, criando empreendimentos com calçadas integradas, fachadas abertas e espaços que convidam à permanência e à convivência.
O que é uma cidade caminhável?
Caminhabilidade refere-se à facilidade de realizar atividades cotidianas a pé, com segurança e conforto. O conceito envolve aspectos como qualidade das calçadas, segurança nas travessias, iluminação, arborização, sombra, mobiliário urbano e proximidade de serviços essenciais.
Uma métrica utilizada para avaliar essa condição é o Walk Score, que atribui notas de 0 a 100 a endereços residenciais, considerando a possibilidade de acesso a pé a supermercados, farmácias, escolas, restaurantes e parques.
Na prática, a caminhabilidade busca reduzir o protagonismo do carro e resgatar a vida ao ar livre, proporcionando trajetos mais convenientes, maior contato com a vizinhança e o uso frequente de praças, calçadas e pequenos centros de bairro.
O papel dos novos empreendimentos
Em Curitiba, a relação entre edifícios e rua já está presente no Plano Massa, criado durante a gestão de Jaime Lerner. O plano prevê embasamentos em formato de galerias comerciais cobertas em prédios localizados nos eixos estruturais, como as avenidas Padre Anchieta e República Argentina.
Um exemplo recente é o empreendimento Moní, no bairro Alto da Glória, previsto para ser entregue em 2026 pela AGL Incorporadora. O projeto inclui um boulevard integrado à fachada ativa, aberto à população, com áreas sombreadas para descanso, comércio no térreo, bancos voltados para a rua e um bicicletário público.
O arquiteto e urbanista Richard Viana, um dos fundadores do estúdio Urbideias responsável pelo projeto do espaço de permanência, destaca: “A ideia é que as pessoas se sintam seguras na rua, e isso só é possível se houver pessoas na rua.”
Além disso, o projeto contempla iluminação adequada, permeabilidade visual com muros vazados de cobogó, áreas verdes que reduzem o desconforto acústico e uma rua compartilhada para pedestres, inspirado na história da Avenida João Gualberto, que até o início do século XX era conhecida como Boulevard Dois de Julho.
Revitalização dos bairros e do centro
A criação de empreendimentos com fruição pública acompanha atualizações do Plano Massa, cuja versão mais recente foi estabelecida pelo decreto 1.005, de 2020. Áreas como a Praça da Ucrânia e a Alameda Prudente de Moraes passaram por melhorias que aumentaram a ativação urbana.
Luiz Antoniutti, fundador e diretor-executivo da AGL Incorporadora, ressalta que a colaboração entre poder público e iniciativa privada pode ajudar a recuperar a densidade habitacional do centro de Curitiba. “O espírito do nosso tempo é o da gentileza urbana e do bem-estar coletivo”, afirma.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



