Mãe baiana cria absorvente dérmico para pacientes com gastrostomia
Tecnologia inovadora busca prevenir infecções e lesões e avança para produção em escala
O cuidado diário com pacientes que dependem de gastrostomia pode ser desafiador, especialmente devido a complicações como vazamentos de secreções, irritações e lesões ao redor da sonda. Foi a partir dessa realidade vivida em casa que a bióloga e pesquisadora baiana Nilza Carla desenvolveu o JO+ Absorvente Dérmico, uma tecnologia criada para proteger a pele ao redor do estoma e prevenir complicações comuns.
O dispositivo surgiu da experiência de Nilza como mãe de João Pedro, seu filho que, aos 20 anos, depende permanentemente de gastrostomia — um procedimento que permite a alimentação por meio de uma sonda inserida diretamente no estômago, indicado para pacientes que não conseguem se alimentar pela boca.
Uma solução nascida do cuidado e da ciência
Ao acompanhar a rotina de cuidados do filho, Nilza identificou uma lacuna importante na proteção da pele ao redor do estoma, local onde frequentemente surgem lesões e infecções. O JO+ foi desenvolvido com uma matéria-prima de alta absorção e delicada para a pele, com o objetivo de absorver secreções e ajudar a prevenir lesões, infecções, dor e outras complicações associadas à gastrostomia.
Em vez de criar apenas uma adaptação para o uso pessoal, Nilza decidiu aprofundar o tema cientificamente. Formou-se técnica em Enfermagem, graduou-se em Ciências Biológicas e atualmente é mestranda na Universidade Salvador (UNIFACS), em Salvador, onde aprofunda seus estudos em saúde e inovação, fortalecendo a base científica da tecnologia.
“Primeiro fui mãe. Depois precisei me tornar pesquisadora para entender por que aquele problema acontecia e como poderia evitá-lo. A tecnologia nasceu desse encontro entre a experiência do cuidado e a ciência”, afirma Nilza Carla.
Desenvolvimento e próximos passos
Após quase uma década de pesquisa, o JO+ conta com um protótipo em estágio avançado de desenvolvimento, classificado entre TRL 6 e 7, pedido de patente depositado, validações técnicas preliminares e testes em campo realizados com quatro pacientes gastrostomizados. Em 2024, o projeto foi apresentado no Web Summit Lisboa, um dos maiores eventos mundiais de inovação e tecnologia, reforçando seu potencial de impacto e internacionalização.
Agora, a startup busca parcerias com indústrias, hospitais, universidades, investidores e instituições públicas para ampliar a validação clínica, estruturar a produção em escala e acelerar o acesso dos pacientes à tecnologia. A estimativa é de um consumo médio de seis unidades por paciente ao dia.
Visão para o futuro: acesso pelo SUS
Além do uso na rede privada, Nilza tem como objetivo viabilizar a incorporação do JO+ ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a uma solução preventiva para milhares de brasileiros que dependem da gastrostomia.
“O JO+ nasceu da minha experiência com o João, mas ele representa milhares de famílias que enfrentam essa mesma realidade todos os dias”, destaca a pesquisadora. Estima-se que mais de 300 mil brasileiros convivam com gastrostomia e que até 74% enfrentem algum tipo de complicação relacionada ao procedimento.
Com foco na proteção, conforto e custo compatível com produção em escala, o JO+ busca contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



