Gaza: impactos da guerra no acesso à saúde, segundo Médicos Sem Fronteiras
Presidente internacional da MSF analisa efeitos da ocupação israelense na saúde palestina
O acesso à saúde na Palestina enfrenta uma crise profunda devido à violência contínua, destruição de hospitais e severas restrições à ajuda humanitária. Essa é a avaliação do Dr. Javid Abdelmoneim, presidente internacional de Médicos Sem Fronteiras (MSF), que atuou em Gaza em 2024, principalmente no Hospital Nasser.
Segundo análise divulgada pela organização, os efeitos da guerra vão além dos ferimentos diretos causados pelos ataques. A combinação de deslocamento forçado, falta de água potável, saneamento precário e dificuldades de circulação tem provocado uma grave crise de saúde pública tanto em Gaza quanto na Cisjordânia.
Doenças e superlotação em Gaza
A chamada “linha amarela”, descrita pela MSF como uma fronteira móvel entre áreas sob controle palestino e israelense, tem comprimido mais de dois milhões de pessoas em cerca de um terço da Faixa de Gaza. Essa situação aumenta o risco de ataques e facilita a propagação de doenças.
Nas clínicas da MSF, são frequentes casos de infecções respiratórias, doenças de pele e enfermidades diarreicas, condições associadas à falta de água limpa, saneamento inadequado e moradias em condições extremas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde local citados pela MSF, em 14 de julho de 2026, desde o início do cessar-fogo, 1.110 palestinos foram mortos e 3.599 feridos. Junho de 2026 foi o mês mais mortal desde outubro de 2025.
Impactos na saúde da Cisjordânia
Na Cisjordânia, a MSF relata aumento de traumas e depressão entre pacientes atendidos em Nablus e Hebron, atribuídos ao aumento da violência e às restrições de circulação que dificultam o acesso a hospitais e clínicas.
O documento menciona a prisão do cirurgião da MSF Mohammed Obeid durante uma incursão ao Hospital Kamal Adwan, em Gaza, em 26 de outubro de 2024. Ele permanece detido sem acusação formal.
A organização informa que pelo menos 1.700 profissionais de saúde foram mortos desde outubro de 2023, incluindo 15 membros da equipe da MSF. Além disso, desde janeiro, as autoridades israelenses retiraram o registro de 37 organizações humanitárias, dificultando a entrada de profissionais internacionais e suprimentos essenciais.
Para Abdelmoneim, “a principal questão de saúde na Palestina é a ocupação israelense”. Ele defende uma mudança política urgente que priorize a proteção dos civis, garanta o acesso humanitário sem impedimentos e responsabilize os governos envolvidos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



