Férias escolares: rotina flexível para famílias com crianças neurodivergentes

Recesso pode ser mais tranquilo com previsibilidade, brincadeiras e cuidado aos cuidadores

As férias escolares são aguardadas com entusiasmo por muitas crianças, mas para famílias que têm filhos com transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, doenças raras e transtornos de aprendizagem, esse período pode trazer desafios significativos. A interrupção das aulas e das terapias impacta a organização da rotina, o comportamento infantil e o equilíbrio emocional de toda a família.

Especialistas ressaltam que o ideal não é transformar as férias em uma extensão da rotina escolar, nem abandoná-la completamente. Uma rotina flexível, que mantenha algumas referências e permita espaço para descanso, é o caminho mais acolhedor para as crianças e seus cuidadores.

Previsibilidade sem rigidez

Manter horários minimamente organizados para acordar, fazer refeições, brincar e dormir ajuda a criança a entender o que esperar do dia, sem a necessidade de uma programação rígida ou cheia de atividades. A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi explica que as férias são essenciais para o descanso e para o desenvolvimento de habilidades que nem sempre são estimuladas na escola, mas crianças com transtornos do neurodesenvolvimento se beneficiam de alguma previsibilidade para reduzir a ansiedade e favorecer a autonomia.

A psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan destaca que, durante o recesso, os pais podem perceber com mais intensidade questões relacionadas à atenção, regulação emocional, tolerância à frustração e interação social. Isso não indica piora, mas sim que a família convive mais tempo com situações que antes eram compartilhadas com profissionais da escola.

O descanso dos cuidadores também importa

Para os pais e responsáveis, as férias nem sempre significam descanso. A necessidade de conciliar trabalho, cuidados e mudanças na rotina pode aumentar a exaustão, especialmente quando há pouca rede de apoio. Natália Lopes, mãe atípica e fundadora do Voz das Mães, ressalta a importância de reconhecer o cansaço e que buscar ajuda ou estabelecer limites não é sinal de fracasso.

Brincar é desenvolvimento

Atividades simples como brincadeiras ao ar livre, jogos de regras, atividades sensoriais, culinária em família e tarefas cotidianas estimulam autonomia, coordenação motora, funções executivas e habilidades sociais. A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem reforça que o brincar livre é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento e não deve ser visto apenas como entretenimento.

Embora as telas possam fazer parte da rotina, o ideal é equilibrá-las com experiências reais e interações. O desenvolvimento acontece principalmente nas experiências concretas e na exploração do ambiente.

Terapias: pausa ou continuidade?

A continuidade das terapias durante as férias depende das necessidades individuais de cada criança. A psiquiatra Fabricia Signorelli explica que, assim como os adultos precisam de descanso, as crianças também se beneficiam de pausas. No entanto, em alguns casos, manter parte dos atendimentos pode ser importante para preservar ganhos em regulação emocional, comportamento ou adaptação. Essa decisão deve ser feita em conjunto entre a família e a equipe multiprofissional.

As férias também são uma oportunidade para fortalecer vínculos familiares e ampliar repertórios sociais, sem a obrigação de estímulos constantes. O mais importante é garantir experiências positivas respeitando os limites da criança e da família.

Menos cobrança, mais conexão

Especialistas destacam que o principal aprendizado das férias pode estar na desaceleração. Em meio a agendas lotadas e compromissos, o recesso oferece espaço para fortalecer vínculos afetivos e observar a criança além do desempenho escolar. A infância precisa de tempo para brincar, descansar, experimentar e conviver, e as férias fazem parte desse processo de desenvolvimento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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