Ebola na RDC: surto atinge quase 2 mil casos em dois meses
Epidemia avança rapidamente, concentrando 90% dos casos em Ituri e pressionando sistema de saúde local
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) alcançou quase 2 mil casos confirmados e mais de 700 mortes em apenas dois meses desde sua declaração oficial. Os dados, atualizados até 12 de julho de 2026, indicam que esta é a epidemia de crescimento mais rápido já registrada, causada pelo vírus Bundibugyo.
De acordo com Médicos Sem Fronteiras (MSF), o número de casos confirmados triplicou em menos de cinco semanas, passando de 650 para quase 2 mil, enquanto as mortes aumentaram de 130 para mais de 700. Este surto já ultrapassou metade dos casos do surto anterior na RDC, que durou quase dois anos entre 2018 e 2020.
Ituri: epicentro da epidemia
A província de Ituri, no leste do país, concentra cerca de 90% dos casos confirmados, tornando-se o epicentro da crise. O avanço da doença ocorre em meio a um sistema de saúde sobrecarregado por conflitos armados, deslocamentos populacionais e outras emergências, como cólera e malária.
O acesso limitado a cuidados médicos e a sobrecarga do sistema de vigilância dificultam a detecção precoce dos casos, especialmente em comunidades fora dos grandes centros urbanos, que enfrentam barreiras para diagnóstico, isolamento e tratamento adequados.
Em Bunia, o Centro de Tratamento de Ebola Elikiya, com 90 leitos, opera frequentemente próximo à capacidade máxima. Segundo Sylvie Kaczmarczyk, coordenadora de emergência da MSF em Bunia, muitos pacientes preferem esperar em casa até que um leito esteja disponível, chegando ao centro em estado crítico.
“É devastador saber que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com diagnóstico precoce e acesso oportuno a cuidados e tratamentos”, afirmou Kaczmarczyk.
Necessidade de resposta comunitária ampliada
A MSF destaca a importância de fortalecer a resposta médica e aproximá-la das comunidades para identificar e isolar casos rapidamente. Entre as frentes que precisam ser reforçadas estão:
- vigilância epidemiológica e rastreamento de contatos;
- testagem e diagnóstico;
- tratamento de pacientes e apoio a sobreviventes;
- mobilização e comunicação comunitária;
- sepultamentos seguros e dignos;
- manutenção de outros serviços essenciais de saúde.
Desde o início do surto, a MSF opera sete centros de tratamento e mais de 15 unidades de isolamento nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Tshopo, com capacidade total superior a 430 leitos. Até 14 de julho, suas equipes admitiram mais de 968 pacientes, incluindo 357 casos confirmados, e apoiaram a recuperação de 116 sobreviventes.
As restrições de deslocamento e a insegurança dificultam a chegada e a rotação de especialistas. Trish Newport, coordenadora de emergência da MSF, ressalta que a resposta internacional precisa ser ampliada e coordenada para acompanhar a velocidade da epidemia.
“Cada atraso custa vidas. Ainda estamos correndo atrás do surto em vez de nos anteciparmos a ele”, afirmou Newport. A aproximação da estação chuvosa, que pode aumentar os casos de malária, deve pressionar ainda mais o sistema de saúde local.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



