Álcool e direção: por que não devemos chamar de acidente?
Artigo questiona a ideia de fatalidade em mortes no trânsito e defende mais responsabilidade diante de escolhas como beber e dirigir.
Quando uma pessoa bebe, assume o volante e provoca uma morte, ainda faz sentido chamar o resultado de “acidente”? Essa é a provocação central de um artigo assinado pelo jornalista, professor e escritor Ricardo Viveiros, que relaciona escolhas individuais, responsabilidade e a dor enfrentada por famílias vítimas da violência no trânsito.
O autor parte de uma experiência pessoal. Há 30 anos, seu filho Ricardo Viveiros de Paula Filho e sua neta Mariana, de sete meses, morreram após um motorista avançar o sinal vermelho na região central de São Paulo. Segundo o relato, o condutor fugiu sem prestar socorro e testemunhas afirmaram que ele estava alcoolizado.
Ricardo conta que passou quase duas décadas buscando Justiça. A condenação veio, mas, de acordo com o artigo, foi tardia e considerada insuficiente: o réu recorreu, teve a pena reduzida e permaneceu em liberdade.
Quando a palavra suaviza a tragédia
Na avaliação apresentada no texto, “acidente” transmite a ideia de algo inevitável ou imprevisível. Mas beber antes de dirigir, exceder a velocidade e ignorar um semáforo vermelho são comportamentos que envolvem decisão. Para o autor, essas atitudes não podem ser tratadas apenas como deslizes, porque aumentam de forma previsível o risco de ferir ou matar alguém.
O artigo também cita um levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Segundo os dados mencionados, o Brasil registrou 13.075 mortes em ocorrências de trânsito relacionadas ao consumo de álcool em 2024. O número representaria alta de 6,2% em relação ao ano anterior, enquanto a taxa de mortalidade chegou a 6,2 óbitos por 100 mil habitantes, a maior desde 2016.
Fiscalização não substitui mudança cultural
O texto reconhece o papel da Lei Seca e das operações de fiscalização, mas defende que a legislação, sozinha, não resolve o problema. A tolerância social com quem bebe e dirige também precisaria ser enfrentada, especialmente porque o álcool reduz reflexos, prejudica a percepção de risco e pode estimular atitudes mais agressivas e imprudentes.
A discussão proposta não é apresentada como busca por vingança. É uma reflexão sobre responsabilidade e sobre a forma como a sociedade nomeia mortes evitáveis. Nenhuma sentença devolve as vítimas às suas famílias, mas reconhecer que determinadas tragédias são consequência de escolhas pode ajudar a mudar comportamentos.
Para Ricardo Viveiros, o debate passa por abandonar a ideia de que toda morte no trânsito é uma fatalidade. A pergunta que permanece é direta: quantas vidas ainda precisarão ser interrompidas para que dirigir alcoolizado seja encarado como uma grave ameaça ao direito de viver?
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



