Estudantes brasileiras levam pesquisa sobre câncer de mama ao espaço
Projeto de quatro alunas de Jundiaí venceu competição internacional e será testado em microgravidade na Estação Espacial Internacional.
Uma pesquisa brasileira sobre câncer de mama está a caminho da Estação Espacial Internacional (ISS). Desenvolvido por quatro alunas do Colégio Ser, de Jundiaí (SP), o projeto venceu o ISS Journey, competição internacional que desafia estudantes a criarem experimentos para ambientes de microgravidade.
Beatriz Marques Herculano, Giovanna Machado Tasso e Lavínia Carboni Berti, todas de 14 anos, e Sara Lourenço Panico, de 15, formaram a primeira equipe brasileira a conquistar o primeiro lugar no programa. Como parte da premiação, o experimento será realizado no espaço em uma missão prevista para setembro ou outubro de 2026.
O que as estudantes vão investigar
Intitulada “Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário”, a proposta busca observar como a ausência de gravidade influencia a comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama.
O secretoma é o conjunto de substâncias liberadas pelas células para se comunicarem. No experimento, a equipe pretende analisar se a microgravidade provoca alterações nesse processo. Um teste de controle será realizado na Terra, permitindo comparar os resultados obtidos nos dois ambientes.
A investigação não representa um tratamento pronto, mas pode ampliar o conhecimento sobre processos biológicos ligados à doença e contribuir para futuras pesquisas. O câncer de mama afeta uma em cada oito mulheres ao longo da vida, segundo o material divulgado sobre o projeto.
Motivação nasceu dentro da escola
A escolha do tema teve também uma razão pessoal. As adolescentes acompanharam de perto a trajetória de uma professora que estava em tratamento contra o câncer de mama e decidiram direcionar o trabalho para a saúde feminina.
“Escolhemos o câncer de mama e a saúde feminina porque somos um grupo formado só por mulheres. A gente tem relação com o tema por causa de uma professora nossa com a doença. Foi um tema muito sensível por causa disso também”, afirmou Lavínia Carboni Berti.
Além da biologia, o projeto envolveu metodologia científica e inglês. Para Giovanna, a formação bilíngue ajudou o grupo a apresentar a pesquisa a cientistas e especialistas. Beatriz também destacou o potencial da experiência para inspirar outras meninas a seguirem carreiras científicas.
Da sala de aula ao Kennedy Space Center
Mais de 70 equipes brasileiras participaram desta edição do ISS Journey, e dez chegaram à fase final. Durante a preparação, as estudantes receberam mentoria de um comitê científico e apresentaram o trabalho no Science Days.
Na última semana de junho, elas participaram de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, com contato com cientistas, especialistas da área aeroespacial e astronautas. Agora, aguardam a próxima etapa: ver a pesquisa sair da escola e ser testada em condições reais de microgravidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



