Bets custam R$ 30,6 bilhões à saúde e ampliam demanda no SUS
Estudo revela que 79% dos impactos econômicos das apostas estão ligados à saúde; SUS intensifica atendimento virtual para dependência
As apostas esportivas online, conhecidas como bets, têm causado impactos significativos na saúde pública brasileira. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a Frente Parlamentar da Saúde Mental (FPSM) e a Umane, estima que os danos associados a essa prática gerem um custo anual de pelo menos R$ 30,6 bilhões para o sistema de saúde e a sociedade.
De acordo com o levantamento, cerca de 79% dos impactos econômicos das apostas estão relacionados à saúde, incluindo custos com mortes por suicídio, tratamentos para depressão, perda de produtividade e redução da qualidade de vida dos pacientes afetados pela dependência em jogos de azar.
Demanda crescente no SUS
O aumento da procura por atendimento especializado já é observado no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 3 de março e 18 de maio, foram realizadas 883 consultas por vídeo com psicólogos e psiquiatras para pessoas viciadas em apostas. Nos dois primeiros meses de operação da plataforma, a média foi de 12 atendimentos virtuais diários em saúde mental para esse público.
O teleatendimento foi implementado para ampliar o acesso ao tratamento, especialmente para pacientes que evitam buscar ajuda presencial devido à vergonha ou ao estigma associado ao vício. Essa modalidade permite alcançar pessoas que ainda não se sentem preparadas para procurar atendimento tradicional em saúde mental.
Prevenção e assistência especializada são essenciais
A Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP) destaca que a ludopatia, transtorno caracterizado pelo comportamento compulsivo em jogos de azar, deve ser tratada como um problema de saúde pública. A entidade defende uma abordagem integrada que envolva prevenção, diagnóstico precoce, assistência especializada e políticas públicas.
Segundo o presidente da AHOSP, Dr. Anis Mitri, “o crescimento dos casos relacionados às apostas online mostra que estamos diante de um desafio que ultrapassa a esfera econômica. O impacto atinge diretamente a saúde mental, compromete famílias inteiras e aumenta a pressão sobre o sistema de saúde. Precisamos tratar esse tema com a mesma seriedade dedicada a outras dependências comportamentais”.
Mitri ressalta que os efeitos da dependência não se limitam aos serviços especializados em saúde mental, pois hospitais também atendem pacientes com crises de ansiedade, depressão e outras complicações associadas ao vício em apostas. Ele enfatiza a importância de investir na capacitação das equipes, ampliar o acesso aos serviços especializados e desenvolver estratégias de prevenção para reduzir o impacto desse novo perfil de adoecimento.
O dirigente também destaca a necessidade de campanhas permanentes de conscientização, especialmente entre jovens e adultos, grupos mais expostos às apostas online. “Assim como ocorreu com outras questões de saúde pública, a informação é uma das principais ferramentas de prevenção. É necessário conscientizar a população sobre os riscos da dependência em apostas, facilitar o acesso ao tratamento e fortalecer políticas públicas que reduzam os impactos sociais e assistenciais desse problema crescente”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



