Violência contra crianças ainda é naturalizada no país
Pesquisa Infinis-Quaest mostra que 91% defendem o diálogo, mas tapas, gritos e omissão diante da agressão seguem presentes no dia a dia.
A maioria dos brasileiros afirma que o diálogo é a melhor forma de educar crianças, mas a prática cotidiana ainda revela uma realidade marcada pela violência. É o que mostra a 2ª edição da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest.
O levantamento ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. Os dados indicam que, apesar da ampla defesa do diálogo, a naturalização de agressões físicas e verbais permanece significativa.
Principais resultados da pesquisa
De acordo com o estudo, 91% dos brasileiros consideram o diálogo a melhor forma de corrigir comportamentos infantis. No entanto, 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% reconhecem já ter dado tapas e 27% afirmam ter usado objetos para bater.
Comparando com a edição anterior, realizada em 2023, houve uma redução nesses índices, mas o paradoxo persiste. Naquele ano, 93% defendiam o diálogo, enquanto 66% admitiam ter gritado, 52% já haviam dado tapas e 38% reconheciam o uso de objetos para bater.
Outro dado preocupante é que 62% afirmam que não interfeririam caso presenciassem uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em um espaço público, evidenciando a naturalização da violência contra crianças.
Conhecimento sobre direitos e proteção da infância
O estudo também investigou a percepção dos brasileiros sobre os direitos de crianças e adolescentes. Embora 93% afirmem que os estudos devem ser prioridade para as crianças, há uma elevada aceitação do trabalho infantil em certas circunstâncias: 61% consideram aceitável o trabalho infantil para evitar que crianças fiquem nas ruas.
Além disso, 88% acreditam que adolescentes devem trabalhar se quiserem e 71% acham que devem trabalhar quando os pais determinarem. Por outro lado, 71% não conseguem citar nenhuma lei de proteção à infância.
Quanto à confiança nas instituições que atuam na proteção da infância, os percentuais são: psicólogos (60%), polícia (49%), Conselho Tutelar (46%), assistentes sociais e CRAS (42%) e unidades básicas de saúde e hospitais (40%).
Implicações para políticas públicas e famílias
Para o Infinis, os resultados evidenciam uma lacuna entre o que a população considera correto e as práticas efetivamente adotadas. Compreender essas percepções é fundamental para romper o ciclo intergeracional de violência e orientar políticas públicas de prevenção.
Os dados da pesquisa serão utilizados como base para o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, que ocorrerá em 30 de setembro de 2026, em São Paulo, reunindo especialistas e gestores para discutir estratégias de proteção integral à infância.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



