TDAH: quando a distração vira sinal de alerta

Especialista reforça que nem toda dificuldade de foco é TDAH e que o diagnóstico preciso é essencial para diferenciar o transtorno de ansiedade, estresse e excesso de telas.

A busca por diagnóstico de TDAH na vida adulta cresceu nos últimos anos, acompanhando a popularização do tema nas redes sociais e a sensação, cada vez mais comum, de dificuldade para manter o foco. Mas nem toda distração, esquecimento ou improdutividade significa transtorno: especialistas reforçam que o diagnóstico precisa ser feito com cuidado para não banalizar a condição.

Segundo a médica neurologista e neurofisiologista Maria Teresa Fernandes Castilho Garcia, professora doutora na Faculdade de Medicina da Unoeste, o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, de origem predominantemente genética, que aparece desde os primeiros anos de vida. “Na grande maioria dos casos, ele não surge na fase adulta, embora muitas pessoas só recebam o diagnóstico quando adultas”, explica.

Nem toda falta de foco é TDAH

O transtorno pode se apresentar de três formas: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva e combinada. Na forma desatenta, são comuns dificuldade de manter o foco, distração fácil, desorganização, esquecimento e problemas para concluir tarefas. Já na hiperativa/impulsiva, aparecem inquietação constante, impulsividade, dificuldade de esperar a vez e excesso de fala.

Esses sinais podem afetar a vida escolar, acadêmica, profissional e os relacionamentos. Mas, na rotina adulta, eles também podem ser confundidos com outros fatores, como ansiedade, depressão, estresse e a própria sobrecarga do dia a dia.

Telas, ansiedade e excesso de informação confundem

Um dos pontos de atenção hoje é o impacto do estilo de vida contemporâneo na atenção. O excesso de telas, a sobrecarga de informações e a pressão por produtividade podem gerar sintomas parecidos com os do TDAH ou até piorar quadros já existentes.

“O excesso de telas, a sobrecarga de informações, o estresse e a ansiedade podem causar dificuldade de concentração e até agravar sintomas em quem já possui TDAH. Por isso, é fundamental fazer uma avaliação criteriosa antes de concluir que a pessoa apresenta o transtorno”, diz a especialista.

Estudos internacionais estimam que cerca de 10% das crianças e entre 4% e 5% dos adultos tenham TDAH. No Brasil, ainda não há levantamentos nacionais que estabeleçam a prevalência.

Diagnóstico e tratamento exigem avaliação especializada

O diagnóstico do TDAH é clínico e pode ser realizado por neurologistas, neuropediatras ou psiquiatras. Depois da avaliação, o tratamento é definido de forma individualizada. Quando indicados, os medicamentos podem ser associados à psicoterapia, que ajuda na organização, no planejamento, no controle da impulsividade e na melhora da atenção.

A médica também chama atenção para o uso indiscriminado de medicamentos psicoestimulantes por pessoas sem diagnóstico confirmado. Segundo ela, a busca por alto desempenho e resultados rápidos tem estimulado esse comportamento, o que preocupa por causa dos efeitos colaterais e dos riscos do uso sem orientação.

Para Maria Teresa, o principal alerta é não confundir o transtorno com preguiça ou falta de esforço. O TDAH é uma condição neurobiológica real e precisa ser avaliada por profissionais capacitados. Quando há suspeita, o caminho mais seguro é buscar atendimento especializado e evitar conclusões precipitadas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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