Como incluir crianças neurodivergentes nas festas juninas
Especialista orienta famílias a reduzir sobrecarga sensorial e adaptar juninas e jogos em junho para crianças com TEA, TDAH e outras condições.
Bandeirinhas, quadrilha, música alta, comidas típicas e jogos em família costumam marcar junho no Brasil. Mas, para crianças neurodivergentes, esse clima de celebração pode vir acompanhado de excesso de estímulos, ansiedade e sobrecarga sensorial. A boa notícia é que, com algumas adaptações simples, festas juninas e encontros para ver futebol podem se tornar mais confortáveis e inclusivos.
O que pode pesar para a criança
Ambientes com muito barulho, multidões, cheiros fortes, luzes intensas e mudanças de rotina podem ser desafiadores para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH ou outras condições do neurodesenvolvimento. Segundo a psicóloga Isabella Roque, coordenadora técnica da Casa Trilá, cada criança tem necessidades próprias: o que encanta uma pode incomodar muito outra.
Ela destaca que as dificuldades podem ser sensoriais, sociais ou ligadas à rigidez diante de mudanças. Por isso, nem sempre basta “diminuir os estímulos”: em muitos casos, o melhor caminho é oferecer uma adaptação gradual e respeitosa ao contexto.
Como deixar a comemoração mais leve
Uma das principais orientações é antecipar o que vai acontecer. Explicar previamente como será o evento, mostrar fotos ou vídeos e informar quem estará presente ajuda a reduzir a ansiedade e traz mais previsibilidade. Se possível, vale usar calendários visuais, imagens ou pequenas histórias sociais para preparar a criança.
Também é importante respeitar o tempo de adaptação. Nem toda criança vai querer dançar, brincar ou interagir logo de início. Algumas preferem observar antes; outras participam só de parte da programação. Forçar a presença ou a socialização pode tornar a experiência mais difícil.
Itens de conforto fazem diferença: fones abafadores de ruído, brinquedos sensoriais, objetos de apego, água, lanches conhecidos e até um cantinho tranquilo para pausas podem ajudar bastante. Observar sinais de desconforto, como irritabilidade, agitação excessiva, isolamento ou crises, permite agir cedo e evitar que a sobrecarga aumente.
Rotina e acolhimento ainda importam
Mesmo em dias festivos, manter horários de alimentação, descanso e sono contribui para a sensação de segurança. Pequenas flexibilizações na programação já ajudam a criança a aproveitar o momento sem romper totalmente com o que lhe dá estabilidade.
As orientações valem também para escolas e organizadores de eventos. Espaços de acolhimento, flexibilidade de participação e equipes orientadas sobre neurodiversidade tornam as comemorações mais acessíveis. Como resume Isabella Roque, inclusão é permitir que cada criança participe de acordo com suas necessidades, de forma significativa e respeitosa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



