Cesarianas chegam a 60,6% dos partos no Brasil

Levantamento com dados de 2024 mostra proporção muito acima da recomendação da OMS e diferenças por escolaridade e raça/cor.

No Brasil, as cesarianas seguem em alta e já representam 60,6% dos partos registrados em 2024, segundo levantamento com base em dados do DATASUS, disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane. O número chama atenção porque fica muito acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica esse procedimento para 10% a 15% dos partos.

A leitura do material mostra uma mudança importante ao longo do tempo: em 2001, 61,5% dos partos eram vaginais. Já em 2024, dos 2,4 milhões de nascimentos registrados no país, quase 1,4 milhão ocorreram por cesariana, enquanto 39,4% foram por via vaginal.

O que esse cenário acende de alerta

A OMS aponta que cesarianas feitas sem indicação médica podem aumentar riscos para a grávida e para o bebê, incluindo infecções, hemorragias e tromboses. Por isso, o procedimento deve ser reservado a situações específicas, quando há dificuldade ou impossibilidade de parto vaginal.

O levantamento também mostra que a proporção de cesáreas cresce conforme o nível de escolaridade. Entre mulheres com 12 anos ou mais de estudo, a taxa chegou a 74% dos partos. No grupo com 8 a 11 anos de escolaridade, o índice foi de 57%. Entre as mulheres com zero a sete anos de estudo, a proporção ficou em 47,9%.

Diferenças por raça e cor

O recorte por raça/cor também revela desigualdades. Entre mulheres pardas, foram 772 mil cesarianas, o equivalente a 58% dos partos desse grupo. Entre as mulheres brancas, a proporção foi maior: 529 mil cesáreas, ou 67% dos 786 mil partos registrados. Já entre as mulheres pretas, foram cerca de 104 mil cesarianas, o que corresponde a aproximadamente 55% dos 190 mil partos.

Para Aluísio Barros, diretor do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (CIES/UFPel), a maior proporção entre mulheres brancas e de maior escolaridade não deve ser lida como vantagem. Segundo ele, essas diferenças refletem maior riqueza, mais acesso a planos privados de saúde e, por consequência, mais cesáreas. Ele também destaca a necessidade de reduzir especialmente as cesáreas agendadas, que podem levar a partos prematuros por erro na avaliação da idade gestacional.

O que mostram os dados de Pelotas

As Coortes de Pelotas, estudo longitudinal conduzido pela UFPel, ajudam a ilustrar essa transformação histórica. O material informa que a proporção de cesarianas passou de cerca de 30% em 1982 para 65% em 2015. Em 2004, metade das mulheres acompanhadas já havia tido o bebê por cesárea. Em 2015, o procedimento esteve em mais de 90% dos partos entre mulheres de maior renda, contra 70% entre as de menor renda.

O recorte por raça nas coortes também mostra variações: 86,9% dos partos entre mulheres brancas ocorreram por cesárea, contra 78,1% entre pardas e 73,9% entre pretas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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