44% das mulheres têm medo de falar de seus objetivos
Pesquisa com 320 mulheres no Brasil, México e Colômbia revela autocensura na expressão da ambição
Falar sobre sonhos, conquistas e ambição ainda é um desafio para muitas mulheres. Uma pesquisa da Casa Mundo Market Intelligence, realizada em parceria com a Natura, revelou que 44% das mulheres latino-americanas têm medo de parecer exageradas ou iludidas ao expressar seus objetivos.
O estudo Deixa a Mulher Latina Sonhar ouviu 320 mulheres de 20 a 55 anos no Brasil, México e Colômbia, evidenciando uma barreira menos visível do que questões como salário ou representatividade em cargos de liderança: a autocensura internalizada ao longo da vida.
Desafios que antecedem a carreira
Mais do que disputar oportunidades, muitas mulheres enfrentam a dificuldade de se sentirem autorizadas a manifestar suas ambições. Em vez de falar com confiança sobre suas metas, parte delas modera a própria fala para evitar parecer ambiciosa demais.
Esse comportamento também se reflete no sentimento de pertencimento: 32% das entrevistadas sentem que certos objetivos não são para pessoas com perfil, origem ou realidade semelhantes às suas. Isso pode levar à autoexclusão, com oportunidades sendo descartadas antes mesmo de serem consideradas.
Influência das mensagens recebidas
Um dado marcante do estudo é a origem dessas limitações. Para 48% das mulheres, os principais limitadores de seus sonhos são elas mesmas ou figuras femininas da família, enquanto pais e parceiros homens foram citados por 20%.
Isso demonstra como normas sociais e expectativas sobre o que é adequado para uma mulher são incorporadas no ambiente familiar, transformando-se em filtros internos que moldam a percepção das próprias possibilidades.
Ambição não é o problema
Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Market Intelligence, destaca que a desigualdade de gênero deve ser analisada não apenas pelas barreiras externas, mas também pela forma como as mulheres aprendem a se posicionar.
“Muitas vezes a discussão sobre desigualdade no mercado de trabalho se concentra apenas nas barreiras que as mulheres encontram ao longo da carreira. Mas os dados da nossa pesquisa mostram que existe um processo anterior. Muitas crescem aprendendo que demonstrar ambição pode soar inadequado, excessivo ou até arrogante. Isso influencia a forma como elas falam sobre si mesmas, apresentam suas conquistas e ocupam espaços profissionais. Percebemos que o problema não é falta de ambição, e sim a dificuldade de se sentir autorizada a expressá-la”, afirma.
O estudo reforça que parte das desigualdades observadas na vida adulta pode começar muito antes da entrevista de emprego ou da disputa por cargos de liderança, no momento em que uma menina aprende quais desejos parecem possíveis e quais são considerados grandes demais para serem expressos em voz alta.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



