5 fatores que explicam a dificuldade em matemática
Mesmo com avanço na alfabetização, especialistas apontam que desigualdade, base frágil e falta de confiança seguem pesando na aprendizagem.
O Brasil alcançou 66% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, superando a meta nacional de 64%, conforme dados do Indicador Criança Alfabetizada. Esse avanço evidencia que políticas educacionais estruturadas podem gerar melhorias consistentes na aprendizagem. No entanto, o desafio educacional não termina nos primeiros anos escolares: muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades em leitura, interpretação de texto e matemática ao longo da educação básica.
Ralph Reis, vice-presidente do Instituto Fliegen, projeto social sediado em Cotia (SP) que prepara estudantes da rede pública para olimpíadas do conhecimento, destaca cinco fatores que ajudam a explicar o baixo desempenho dos estudantes brasileiros. Segundo ele, o problema é resultado de uma combinação de fatores históricos, sociais e educacionais que se acumulam ao longo do tempo.
1. O acesso avançou, mas a qualidade ainda é desigual
O Brasil universalizou a escolarização mais tardiamente que outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai, que iniciaram esse processo no século XIX. Essa expansão tardia deixou marcas na estrutura do ensino. Embora o acesso tenha sido ampliado, a qualidade da educação ainda apresenta desigualdades significativas.
2. A alfabetização segue como base de tudo
Dificuldades na alfabetização nos primeiros anos escolares refletem-se posteriormente em disciplinas como português e matemática. Estudantes do 6º e 7º ano podem apresentar problemas para ler com fluência e interpretar enunciados, o que compromete até a resolução de problemas matemáticos que dominariam operacionalmente.
3. A desigualdade social pesa no aprendizado
O desempenho dos estudantes é influenciado por fatores como acesso a livros, internet, ambiente adequado para estudo e apoio familiar. O potencial dos alunos está distribuído de forma igualitária, mas as oportunidades de aprendizagem não, o que impacta diretamente nos resultados.
4. Muitos alunos perdem a confiança em si mesmos
Além das lacunas de conteúdo, a autoestima acadêmica é um desafio pouco visível. Muitos estudantes internalizam a ideia de que não são bons em matemática ou que não têm aptidão para escrever, o que pode prejudicar a motivação e o desempenho escolar.
5. Aprender também fora da sala de aula ajuda
Iniciativas complementares à educação formal, como as olimpíadas do conhecimento promovidas pelo Instituto Fliegen, podem transformar a relação dos jovens com o estudo. Essas atividades estimulam o interesse, a criatividade e ampliam as possibilidades de futuro, além de oferecer caminhos para o ensino superior vinculados ao desempenho em competições acadêmicas.
Para enfrentar os desafios educacionais, é fundamental a atuação conjunta de escolas, famílias, poder público e organizações da sociedade civil. O talento está presente em todos os lugares; o que falta é garantir que as oportunidades também estejam ao alcance de todos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



