Copa do Mundo e autismo adulto: 5 dicas para torcer
Neurologista explica como adultos autistas podem viver a Copa com mais conforto e menos sobrecarga sensorial
A Copa do Mundo transforma a rotina das pessoas, mas para adultos autistas, essa experiência pode ser desafiadora. Sons altos, multidões, mudanças inesperadas e excesso de estímulos sensoriais podem tornar a celebração desgastante. O neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no tratamento de autistas adultos, destaca que não existe uma única maneira correta de torcer.
Torcer sem se sobrecarregar
De acordo com o especialista, algumas pessoas autistas acompanham todos os jogos, analisam estatísticas e vivem intensamente o momento, enquanto outras preferem ambientes mais tranquilos ou formas diferentes de participar. O essencial é respeitar o próprio funcionamento e evitar transformar a diversão em obrigação social.
Elementos típicos da festa, como fogos de artifício, buzinas, gritos, músicas altas, locais lotados e mudanças abruptas de horário, podem causar desconforto físico e emocional. O cérebro autista percebe esses estímulos de forma diferente, podendo gerar cansaço, irritação e a necessidade de se afastar para recuperar o equilíbrio.
5 cuidados para aproveitar a Copa
Algumas estratégias podem ajudar a tornar a experiência mais confortável para adultos autistas durante a Copa do Mundo:
- Assistir aos jogos em um ambiente conhecido e agradável;
- Planejar encontros e evitar surpresas sempre que possível;
- Fazer pausas durante eventos longos;
- Dispor de um espaço tranquilo para descanso;
- Utilizar fones de redução de ruído quando necessário.
Dr. Trilico reforça que participar não significa suportar tudo, e que adaptar a experiência é fundamental para aproveitar o momento com menos desgaste.
Coexistência de TEA e TDAH: o conceito de AuTDAH
O texto também destaca a frequente coexistência entre Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), condição reconhecida cientificamente e que pode afetar até 70% das pessoas autistas. Embora não seja uma nomenclatura oficial, o termo AuTDAH, usado pela comunidade neurodivergente, expressa a experiência única dessa combinação.
Essa sobreposição cria demandas contraditórias: o traço autista busca rotina e controle sensorial, enquanto o TDAH demanda novidade e estimulação constante. Durante eventos como a Copa, essa tensão pode causar desregulação severa, dificultando a participação plena.
O impacto do masking social
Outro aspecto importante é o masking, ou camuflagem social, quando adultos autistas tentam esconder desconfortos para se encaixar socialmente. Pesquisas indicam que esse esforço contínuo está associado a esgotamento, depressão e ansiedade crônica. Dr. Trilico alerta que essa exaustão emocional pode durar dias após eventos sociais intensos.
Em suma, o jeito autista de torcer pode ser silencioso, analítico, reservado ou intenso, e todas essas formas são válidas. Uma Copa mais inclusiva começa pelo respeito às diferentes maneiras de viver a paixão pelo futebol.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



