Futebol e machismo: pesquisa revela impacto nas mulheres
Levantamento com 1.120 brasileiros mostra que 81% já esperam aumento da violência contra a mulher em dias de jogo e 70% veem incômodo com narradoras
O futebol, para muita gente, é diversão e paixão nacional. Mas uma nova pesquisa mostra que ele também continua sendo um espelho incômodo do machismo no Brasil: 81% dos brasileiros disseram não se surpreender com a ideia de aumento da violência contra a mulher em dias de jogo.
O dado faz parte de um levantamento realizado pela Hibou Pesquisas e Insights para a plataforma Red é de Sangue, com 1.120 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as regiões e classes sociais, entre 10 e 16 de junho de 2026.
Machismo dentro e fora do campo
A pesquisa mostra que o preconceito não aparece só nas arquibancadas. 90% dos entrevistados reconhecem que árbitras mulheres sofrem mais pressão e desrespeito do que árbitros homens. Além disso, 85% consideram totalmente inaceitável que um jogador conteste uma árbitra dizendo que “futebol é coisa de homem”.
Mesmo assim, o recorte por gênero revela diferenças importantes. Entre os homens, apenas 22% concordam totalmente que árbitras enfrentam pressão extra. E 77% consideram inaceitável a ofensa verbal, abaixo da média geral.
Quando a voz feminina ainda incomoda
Outro ponto sensível do levantamento é a presença das mulheres nas transmissões esportivas. 70% dos brasileiros admitem que narradoras esportivas incomodam parte do público por causa do machismo. Ao mesmo tempo, 14% afirmam confiar mais em análises esportivas feitas por homens do que por mulheres.
Entre os homens, esse número sobe para 25%. Além disso, 30% dos homens não acreditam que mulheres entendem de futebol tanto quanto os homens.
Os dados também apontam que 79% reconhecem que o conhecimento das mulheres sobre futebol é questionado com mais frequência e que 58% concordam que elas ainda precisam “provar” que entendem do jogo para serem levadas a sério como torcedoras.
Uma tolerância que preocupa
Para os responsáveis pela iniciativa, o problema vai além da opinião declarada. A plataforma Red é de Sangue foi criada para combater a misoginia nas redes sociais e ampliar o acesso a conteúdo educativo, canais de denúncia e grupos de apoio.
A pesquisa, segundo a divulgação, reforça a ideia de que existe consciência sobre o machismo, mas ainda falta mudança prática. Em dias de futebol, isso aparece tanto na forma como mulheres são tratadas no esporte quanto na normalização da violência em torno dele.
O levantamento tem margem de erro de 2,9% e foi feito em painel digital. A proposta da plataforma é reunir informação, reflexão e caminhos de ação em um só lugar, a partir do debate sobre misoginia, masculinidades e comportamento online.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



