Cesta junina sobe só 0,6% em 12 meses, mas mandioca e carne-seca puxam altas
Estudo da Rico mostra forte reversão em itens como arroz e óleo de soja, enquanto a inflação das festas juninas segue abaixo do IPCA geral
As festas juninas movimentam a economia — e também são impactados pelos preços. A análise feita por Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, com base no IPCA, mostra que a tradicional “cesta junina” — composta por 15 itens típicos, como milho, mandioca, vinho, cerveja e tecidos — subiu apenas 0,6% entre maio de 2025 e maio de 2026, bem abaixo da inflação geral do período, de 4,7%. No acumulado dos últimos cinco anos, a cesta registra alta de 28,2%, também abaixo do IPCA geral, que soma 33,1% no mesmo intervalo.
O resultado representa uma desaceleração importante em relação ao levantamento anterior, quando a cesta acumulava alta de 56,2% em cinco anos e de 4,5% em 12 meses. Enquanto no levantamento anterior a maioria dos produtos típicos acumulava alta acima da inflação, o cenário atual é mais equilibrado: apenas quatro dos 15 itens da cesta superam o IPCA no acumulado de cinco anos.
Mas nem tudo é alívio. A mandioca lidera o ranking de altas, com avanço de 12,7% em 12 meses e 65,1% em cinco anos. A carne-seca e de sol, ingrediente tradicional de pratos típicos como escondidinho e feijoada, acumulou alta de 10,9% no último ano. Já a cerveja continua entre os itens mais resistentes à desaceleração, com aumento de 6,0% em 12 meses e 38,1% no acumulado de cinco anos.
“Os preços da cesta junina são explicados por uma combinação de fatores. Safras favoráveis de arroz, milho e trigo ajudam a explicar as quedas e a desaceleração observadas nesses itens. Por outro lado, produtos mais sujeitos a oscilações de área plantada e clima, como a mandioca, continuam mais voláteis”, explica Maria Giulia Figueiredo.
Os maiores tombos e viradas da cesta junina
O levantamento deste ano mostra uma mudança importante no comportamento dos preços dos produtos típicos das festas juninas. O arroz registrou a maior queda da cesta, com recuo de 16,9% nos últimos 12 meses e de 8,3% no acumulado de cinco anos. A mudança chama atenção porque, na atualização anterior, o item acumulava alta de 92,4% em cinco anos.
Já o óleo de soja protagonizou a maior reversão entre todos os produtos analisados. Em 2025, o item liderava o ranking de altas, com avanço de 94,1% em cinco anos e 22,8% em 12 meses. Agora, registra alta de apenas 0,1% em cinco anos e de 3,5% no último ano. O movimento reflete a melhora das condições de oferta de importantes commodities agrícolas e ajuda a explicar por que a cesta junina passou a registrar comportamento mais favorável ao consumidor.
A tabela abaixo resume as principais variações:
Itens 5 anos 12 meses
Arroz -8,3% -16,9%
Milho (em grão) 51,0% 0,4%
Fubá de milho 10,4% 0,3%
Mandioca (aipim) 65,1% 12,7%
Carne-seca e de sol 19,3% 10,9%
Óleo de soja 0,1% 3,5%
Cerveja 38,1% 6,0%
Vinho 13,9% -1,9%
Milho-verde em conserva 31,8% 2,4%
Tecido 17,8% 0,6%
Artigos de armarinho 27,2% 2,6%
Cesta junina 28,2% 0,6%
IPCA Geral 33,1% 4,7%
Além do clima e das safras, outros fatores influenciaram a variação dos preços:
- Safras e clima: safras favoráveis de arroz, milho e trigo ajudaram a conter os preços e explicar a desaceleração observada em diversos alimentos.
- Demanda sazonal: embora junho aumente a procura pelos produtos típicos, o impacto sobre os preços foi mais limitado neste ciclo.
- Câmbio e insumos: a valorização do real ao longo do período contribuiu para aliviar custos em produtos com componentes importados, como vinho.
- Logística e cadeia de suprimentos: gargalos de armazenagem e custos de frete seguem pressionando alimentos agrícolas. Além disso, o aumento dos preços da energia decorrente de tensões geopolíticas internacionais pode gerar impactos indiretos sobre os custos.
“A cesta junina reflete a complexidade da economia brasileira: é influenciada por safras, clima, logística, câmbio e demanda sazonal. Neste ano, o retrato é de uma cesta junina com inflação contida, abaixo do IPCA geral nas duas janelas analisadas”, afirma Maria Giulia.
Como aproveitar o São João de forma econômica?
Mesmo com um cenário mais favorável para o bolso dos consumidores, o planejamento financeiro continua sendo fundamental para aproveitar as festas sem comprometer o orçamento. Segundo Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, organização e consumo consciente ajudam a preservar a tradição sem gerar preocupações futuras.
“É importante desconstruir a ideia de que o planejamento financeiro limita o prazer das celebrações. Na realidade, ele potencializa a experiência, pois elimina o estresse e a ansiedade causados por dívidas ou apertos financeiros posteriores. Assim, a festa que cabe no bolso é a que realmente permite uma imersão genuína no espírito junino”, pontua Thaisa Durso.
A seguir, confira as 7 dicas da educadora financeira para aproveitar a festa com equilíbrio.
Defina seu orçamento junino
Antes de comprar adereços, comidas ou escolher festas, é fundamental estabelecer um limite claro de gastos. Saber exatamente quanto se pode gastar evita excessos e permite escolhas mais conscientes e planejadas.
O segredo da quermesse: leve dinheiro contado
Uma tática simples e eficaz é separar previamente o valor destinado à festa e levar apenas esse montante. Isso ajuda a controlar impulsos e evita gastos além do planejado.
Sabores caseiros: mais baratos e cheios de afeto
Preparar pratos típicos em casa costuma ser mais econômico do que comprar tudo pronto. Além da economia, a prática fortalece tradições familiares e cria momentos especiais de convivência.
Arraiá colaborativo: cada um leva um pouquinho
Organizar festas em que cada convidado contribui com um prato, bebida ou item de decoração ajuda a dividir custos e torna a celebração mais acessível para todos.
Customização e reaproveitamento: estilo com economia
Fantasias e decorações podem ser produzidas a partir de peças já existentes, materiais recicláveis e itens reaproveitados de anos anteriores, reduzindo gastos sem perder o clima da festa.
Explore eventos gratuitos ou de baixo custo
Prefeituras, centros culturais e associações costumam promover festas gratuitas ou com ingressos acessíveis, oferecendo programação completa sem pesar no orçamento.
Mantenha os pés no chão durante a festa
Mesmo com planejamento, é importante evitar gastos impulsivos durante as comemorações. Acompanhar despesas em tempo real ajuda a manter o controle financeiro.
“É importante desconstruir a ideia de que o planejamento financeiro limita o prazer das celebrações. Na realidade, ele potencializa a experiência, pois elimina o estresse e a ansiedade causados por dívidas ou apertos financeiros posteriores. Assim, a festa que cabe no bolso é a que realmente permite uma imersão genuína no espírito junino”, conclui Thaisa Durso.
Por Maria Giulia Figueiredo
analista de research da Rico
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